Alfie Evans, o bebé que luta pela vida e tem apoio do Papa

Médicos não têm cura para doença neurológica. Tribunais impedem que saia do país

"Olá! Chamo-me Alfie Evans. Estou internado no Hospital Alder Hey, em Liverpool. E quero contar-vos a minha história. Nasci em maio de 2016. Nasci saudável e durante um tempo cresci e sentia-me bem. Passado um tempo não conseguia olhar para os meus pais mais do que 20 segundos. Levantar a minha cabeça também não era fácil. O meu médico disse que o meu desenvolvimento seria tardio."

Este é o início do texto do site dedicado a Alfie Evans, o bebé de 23 meses que sofre de uma doença cerebral degenerativa para a qual os médicos não conseguem identificar uma cura, e que está no centro de uma discussão jurídica entre os pais e a justiça britânica, com aqueles a quererem manter os tratamentos no hospital - contra a vontade dos médicos - e a equacionar levá-lo para outro país para receber tratamento e os juízes a recusarem os pedidos para que os cuidados hospitalares se mantenham.

Um caso que já envolveu o Papa Francisco, que recebeu em audiência privada os pais de Alfie, tendo defendido a proteção da vida da criança. Ficou também a conhecer-se a disponibilidade do hospital pediátrico Gesù, gerido pelo Vaticano, para receber o bebé.

Também o governo italiano já se pronunciou concedendo cidadania italiana a Alfie Evans, para que a Justiça do Reino Unido autorizasse a continuação dos tratamentos no hospital do Vaticano.

Perante a recusa da justiça em manter os tratamentos o pai de Alfie Evans esclareceu ontem que pretende reunir-se com os médicos para discutir a possibilidade de levar o filho para casa.

A decisão de Thomas Evans surgiu após o filho ter conseguido, na segunda-feira, sobreviver seis horas sem respiração assistida, contrariando as perspetivas dos médicos britânicos.

Com 23 meses, Alfie Evans tem batalhado constantemente pela sua vida. Nascido em maio de 2016, o bebé foi internado em dezembro desse mesmo ano, num hospital pediátrico de Liverpool. Com uma doença neurológica o bebé encontra-se num estado semivegetativo, respirando com assistência de uma máquina.

A equipa médica que o acompanha defende não fazer sentido prolongar os cuidados continuados e aconselhou os pais a autorizarem o término dos tratamentos, ação que conduziria à morte de Alfie. A recusa dos pais, Thomas e Kate marcou o início da discórdia que se tem prolongado nos últimos meses, com recurso à Justiça.

O Tribunal Supremo do Reino Unido deu razão ao hospital de Liverpool e negou, posteriormente, o direito de os pais recorrerem desta decisão judicial que aprovava o fim dos tratamentos do bebé.

Embora reconhecessem tratar-se de um caso "desesperadamente triste", os magistrados judiciais britânicos não consideraram que existisse esperança no melhoramento da saúde de Alfie.

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