Agressão a estudante em Paris gera onda de solidariedade

Marie Laguerre, 22 anos, foi agredida violentamente no rosto por um homem que não gostou da resposta dela a uma série de insultos. A cena foi captada por uma câmara de segurança e Marie publicou-a no Facebook e no Twitter. A reação foi gigantesca: "É um problema de todas as mulheres."

A agressão deu-se na terça-feira passada, às 18.30, no 19.º bairro de Paris, e foi testemunhada por dezenas de pessoas sentadas numa esplanada. A câmara do café captou tudo, desde o momento em que Marie e o homem de pouco mais de 30 anos se cruzam. Não precisa de som, os gestos dizem tudo.

O homem diz-lhe qualquer coisa - ela contará mais tarde que eram insultos e grunhidos obscenos - e Marie vira-se ligeiramente para responder "ta gueule!" e continua a andar. Ele pega num cinzeiro da esplanada e atira-lho, já a alguma distância. Ela responde novamente, ele volta para trás e aproxima-se. Marie faz-lhe frente e recebe uma forte palmada no rosto.

Num primeiro momento, as pessoas da esplanada ficam surpreendidas, algumas levantam-se, e há mesmo um rapaz que, com uma cadeira nas mãos, se dirige ao homem. Discutem, o agressor desaparece.

Marie retoma o caminho para casa, ali perto, mas regressa ao café, onde várias pessoas se oferecem para testemunhar se apresentar queixa na polícia. O dono do estabelecimento, Mohran, dá-lhe a gravação da câmara de segurança que ela vai publicar nas redes sociais. Milhares de pessoas veem o vídeo e enviam mensagens de apoio a Marie, algumas com relatos de incidentes idênticos.

Em poucos dias, a jovem estudante tornou-se porta-voz da reação ao assédio que, como sublinha, "atinge quotidianamente todas as mulheres". Os jornais entrevistam-na, divulgam também o vídeo. Ao Le Parisien , a estudante de longos cabelos pretos afirma: "Enquanto as mentalidades não mudarem, nunca falaremos o suficiente sobre este problema. A questão passa pela lei, pela cultura popular, pelas mensagens que circulam nos media, nos filmes, na música, por todo o lado, mesmo na escola. Não devemos tolerar os comentários. Este fenómeno sistemático do assédio leva a que as mulheres não se sintam em segurança na rua. Enfrentei com orgulho a agressão, o mais direita e digna que consegui."

Marie apresentou queixa na polícia, indicou testemunhas e acrescentou um relatório médico a confirmar o efeito da agressão. Repete que foi uma sorte ter obtido o vídeo. E de facto foi visto por um milhão de pessoas e partilhado mais de 7,2 mil vezes. Marie recebeu 1600 comentários só no primeiro post , a que se podem somar milhares nos órgãos de informação.

Marie Laguerre é estudante do Instituto Superior de Ciência Aplicada, em Rennes, e vive em Paris. Na página do Facebook, tinha publicado em outubro passado uma imagem com a mensagem #MeToo. Noutros posts, percebe-se que gosta de viajar - tem imagens na Indonésia, na Birmânia, em Berlim, em passeios de bicicleta.

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