Adolescente condenado a dez anos de prisão por atirar ácido a motociclistas

O jovem de 17 anos e um cúmplice atiraram um líquido altamente corrosivo a motociclistas. Ataques do género têm aumentado em Londres

Derryck John, um jovem de 17 anos, foi condenado a uma pena de prisão de dez anos depois de ter sido dado como culpado de seis ataques com ácido a motociclistas. Os ataques, que um juiz de um tribunal de Londres considerou "desprezíveis e covardes", aconteceram em menos de uma hora e meia. John, natural de Croydon, no sul de Londres, atacou os motociclistas para conseguir roubar as motas, em julho do ano passado.

"Foram crimes graves. Atacou pessoas com o que parece ter sido um ácido situado no extremo mais forte da escala de ácidos ", disse o juiz, Noel Lucas QC, durante a audiência desta segunda-feira, em Londres, citado pelo jornal The Guardian.

O adolescente não revelou o nome do cúmplice nem o líquido corrosivo que usou ou como o obteve.

Derryck John pulverizou as vítimas no rosto com um líquido nocivo, deixando um homem com 30% de perda de visão num dos olhos. Roubou duas motas e tentou roubar outras quatro, antes de ser detido, na madrugada do dia 14 de julho.

O juiz condenou-o a dez anos e meio de prisão e descreveu a forma como os ataques mudaram radicalmente a vida das vítimas, que sofreram "dores e queimaduras" e foram obrigadas a abandonar os seus empregos por causa dos ferimentos. "Se não estivessem a usar capacetes, os ferimentos poderiam ter sido muito mais graves", acrescentou o juiz, que se mostrou alarmado com o número de ataques com ácido que tem "crescido nos últimos 12 meses".

O magistrado revelou que o caso de Derryck John era o segundo caso do género nos últimos três meses.

"É claro para mim que o transporte e o uso de líquidos corrosivos está a tornar-se um problema sério e crescente em Londres e, em particular, nesta parte de Londres. Assim como os crimes cometidos usando scooters", revelou o juiz.

Numa primeira audiência, o jovem de 17 anos declarou-se inocente dos crimes, mas acabaria por admitir a sua participação no mês passado. Estava acusado de ataques com um líquido corrosivo com a intenção de "desativar, queimar, mutilar, desfigurar ou causar danos corporais graves", duas acusações de roubo e quatro acusações de tentativa de roubo.

Se fosse julgado como um adulto enfrentava uma pena de prisão de 22 anos.

Antes de se ter declarado culpado, e devido à idade do réu, a sua identificação estava proibida. Mas tendo em conta o "enorme interesse público" do caso, o juiz decidiu revelar o nome do jovem.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Investimento estrangeiro também é dívida

Em Abril de 2015, por ocasião do 10.º aniversário da Fundação EDP, o então primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmava que Portugal "precisa de investimento externo como de pão para a boca". Não foi a primeira nem a última vez que a frase seria usada, mas naquele contexto tinha uma função evidente: justificar as privatizações realizadas nos anos precedentes, que se traduziram na perda de controlo nacional sobre grandes empresas de sectores estratégicos. A EDP é o caso mais óbvio, mas não é o único. A pergunta que ainda hoje devemos fazer é: o que ganha o país com isso?

Premium

Jan Zielonka

A política na era do caos

As cimeiras do G20 foram criadas para compensar os fracassos das Nações Unidas. Depois da cimeira da semana passada na Argentina, sabemos que o G20 dificilmente produzirá milagres. De facto, as pessoas sentadas à mesa de Buenos Aires são em grande parte responsáveis pelo colapso da ordem internacional. Roger Boyes, do Times de Londres, comparou a cimeira aos filmes de Francis Ford Coppola sobre o clã Corleone: "De um lado da mesa em Buenos Aires, um líder que diz que não cometeu assassínio, do outro, um líder que diz que sim. Há um presidente que acabou de ordenar o ataque a navios de um vizinho, o que equivale a um ato de guerra. Espalhados pela sala, uma dúzia de outros estadistas em conflito sobre fronteiras, dinheiro e influência. E a olhar um para o outro, os dois arquirrivais pretendentes ao lugar de capo dei capi, os presidentes dos Estados Unidos e da China. Apesar das aparências, a maioria dos participantes da cimeira do G20 do fim de semana não enterrou Don Corleone, mas enterrou a ordem liberal."

Premium

nuno camarneiro

Amor em tempo de cólera

Foi no domingo à tarde na Rua Heliodoro Salgado, que vai do Forno de Tijolo à Penha de França. Um BMW cinzento descia o empedrado a uma velocidade que contrariava a calidez da tarde e os princípios da condução defensiva. De repente, o focinhito de um Smart vermelho atravessa-se no caminho. Travagem brusca, os veículos quedam-se a poucos centímetros. Uma buzinadela e outra de resposta, o rapaz do BMW grita e agita a mão direita à frente dos olhos com os dedos bem abertos, "és ceguinha? És ceguinha?" A senhora do Smart bate repetidamente com o indicador na testa, "tem juízo, pá, tem juízo". Mais palavras, alguma mímica e, de repente, os dois calam-se, sorriem e começam a rir com vontade. Levantam as mãos em sinal de paz, desejam bom Natal e vão às suas vidas.

Premium

Joel Neto

O jogo dos homens devastados

E agora aqui estou, com a memória dos momentos em que falhei, das pancadas em que tirei os olhos da bola ou abri o cotovelo direito no downswing ou, receoso de me ter posicionado demasiado longe do contacto, me cheguei demasiado perto. Tenho a impressão de que, se fizer um esforço, sou capaz de recapitular todos os shots do dia - cada um dos noventa e quatro, incluindo os cinco ou seis que me custaram outros doze ou treze e me atiraram para longe do desempenho dos bons tempos. Mas, sobretudo, sinto o cheiro a erva fresca, leite morno e bosta de vaca dos terrenos de pasto em volta. E viajo pelos outros lugares onde pisei o verde. Em Tróia e na Praia Del Rey. Nos campos suaves do Algarve e nas nortadas de Espinho e da Póvoa de Varzim. Nos paraísos artificiais de Marrocos, em meio da tensão competitiva do País de Gales e na Herdade da Aroeira, com os irmãos Barreira e o Maurício, e o Vítor, e o Sérgio, e o Abad, e o Rui, e todos os outros.

Premium

Opinião

NAVEGAR É PRECISO. Quinhentinhos

Os computadores, sobretudo os pessoais e caseiros, também nos trouxeram isto: a acessibilidade da "memória", através do armazenamento, cronológico e quantificado. O que me permite - sem esforço - concluir, e partilhar, que este é o meu texto número 500 no Diário de Notícias. Tendo trabalhado a tempo inteiro e colaborado em muitas outras publicações, "mais do que prometia a força humana", nunca tive, em quatro décadas de peças assinadas, uma oportunidade semelhante de festejar algo de semelhante, fosse pela premência do tempo útil sobre o "ato contemplativo" ou pela velocidade inusitada com que ia perdendo os trabalhinhos, nem por isso merecedores de prolongamento do tempo de "vida útil". Permitam-me, pelo ineditismo da situação, esta rápida viagem que, noutro quadro e noutras plataformas, receberia a designação (problemática, reconheça-se) de egosurfing.