Adiar o Brexit. A proposta de três secretários de Estado em rutura com May

Greg Clark, Amber Rudd e David Gauke consideram que, caso o parlamento não chegue a acordo nos próximos dias, é melhor adiar a saída do Reino Unido da União Europeia

Três secretários de Estado do governo britânico estão dispostos a desafiar a primeira-ministra Theresa May para que o Brexit seja adiado. Esta tomada de posição pública, que surge num momento em que são aguardadas votações cruciais no parlamento, foi divulgada este sábado pelo Daily Mail.

Segundo a BBC, que cita aquele jornal, Greg Clark, Amber Rudd e David Gauke - secretários de Estado dos Negócios, do Trabalho e Segurança Social e da Justiça, respetivamente - consideram que, caso o parlamento não chegue a acordo nos próximos dias, é melhor adiar a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

O trio, que invoca "meses de incerteza", argumenta que se os deputados não subscreverem um acordo em breve "seria melhor procurar estender o Artigo 50 e adiar a data de partida ao invés de deixar a União Europeia em 29 de março". Na sua opinião, "chegou a hora dos deputados reconhecerem a necessidade de obter um acordo, aceitarem que este é o único acordo em oferta e o apoiarem".

O gabinete da chefe de governo não se mostrou surpreendida com o desafio, recordando que as opiniões destes três membros do governo sobre o Brexit, não são "um segredo". No entanto, a tomada de posição de Clark, Rudd e Gauke, foi criticada pelo conservador pró-Brexit Andrew Bridgen, que pediu que se demitissem.

"Eles estão a rejeitar a política do governo e estão a ameaçar votar contra a política do governo na próxima semana", sublinhou este deputado ao programa Today, da Rádio 4 da BBC. "Nesse caso, eles devem fazer a única coisa honrada neste caso que é renunciar imediatamente ao governo", assinalou.

O gabinete de Theresa May fez, entretanto, um comunicado, no qual frisa que a primeira-ministra "está a trabalhar arduamente para garantir que haja um acordo com a UE, que permita cumprir o resultado do referendo". "É aí que a energia do governo deve estar focada", salienta.

A data prevista para a saída do Reino Unido da UE é 29 de março. O governo tem recusado repetidamente a possibilidade de a saída se concretizar sem um acordo formal - e para isso é preciso que Theresa May consiga que os deputados aprovem o acordo que negociou com Bruxelas.

Na próxima quarta-feira, o parlamento discutirá de novo o Brexit e vão analisar uma emenda proposta pelo ex-ministro dos conservadores, Oliver Letwin, e pela trabalhista Yvette Cooper, com o objetivo de criar uma oportunidade do parlamento adiar esta saída caso não se consiga o acordo dos deputados.

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