Abusos sexuais na Igreja: Papa chama bispos de todo o mundo a Roma

Francisco convoca reunião com presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para debater "a proteção de menores". Será em fevereiro de 2019

O Papa Francisco convocou uma reunião com os presidentes das conferências episcopais (organismos que congregam os bispos em cada país) de todo o mundo para debater "a proteção de menores", anunciou esta quarta-feira o Vaticano.

Segundo o comunicado do Conselho de Cardeais, que foi ouvido pelo bispo de Roma para tomar esta decisão, o encontro terá lugar de 21 a 24 de fevereiro de 2019.

Na reunião desta quarta-feira de manhã, o Conselho refletiu longamente com o Papa sobre os abusos sexuais de menores, que têm manchado a Igreja Católica em muitos pontos do globo, nomeadamente nos Estados Unidos, Irlanda, Austrália e Chile.

Neste texto sublinham-se os pontos já divulgados num comunicado na passada segunda-feira, no qual se indicava que os cardeais apoiavam a reforma da Cúria Romana "e formularam a sua plena solidariedade ao Papa Francisco em relação aos acontecimentos das últimas semanas, conscientes que o atual debate deve ser feito pela Santa Sé com os eventuais e necessários esclarecimentos".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)