Filha da primeira-ministra da Nova Zelândia é a primeira bebé na Assembleia Geral da ONU

Jacinda Ardener levou não só a filha, Neve, de três meses, como o marido, Clarke Gayford, a assistir ao seu discurso inaugural na ONU, em Nova Iorque

Foi esta segunda-feira e fez história: Neve Te Aroha, de três meses, foi a primeira bebé a assistir a um discurso numa Assembleia Geral da ONU. A mãe, a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, fez a sua estreia nas Nações Unidas e discursou na cimeira que prestou homenagem a Nelson Mandela, enquanto o marido, o apresentador de televisão Clarke Gayford, cuidava da criança. A família viajou junta até aos EUA, até porque é Gayford quem se dedica a cuidar da filha do casal, como pai a tempo inteiro. Neve acompanhou a mãe na viagem porque a primeira-ministra ainda está a amamentar. Uma "decisão prática", disse a governante, citada pela BBC.

Jacinda Ardern, de 38 anos, é a segunda mulher a dar à luz durante o mandato - a primeira foi a paquistanesa Benazir Bhutto, em 1990. Mas é a primeira-ministra mais nova do país e a primeira a tirar licença de maternidade durante o mandato. Ardern voltou ao exercício das funções depois de seis semanas de licença de maternidade.

A imagem de Neve ao colo do pai e da mãe, junto da comitiva neozelandesa, captou a atenção do mundo inteiro e levou a que Gayford publicasse um tweet onde explicou que Neve tinha cartão de identificação das Nações Unidas. O companheiro de Jacinda Ardern aproveitou o esclarecimento para acrescentar: "Gostaria de ter capturado o olhar chocado de um membro da delegação japonesa quando entrou na sala de reuniões da ONU no meio de uma troca de fraldas".

Esta foi a primeira vez que uma líder de um país levou um bebé para a Assembleia Geral das Nações Unidas. Jacinda Ardern foi ainda convidada no programa "The Today Show", do canal NBC, e confessou que tinha sido "por vezes tão difícil" governar um país como cuidar de um bebé de três meses durante um voo de 17 horas, da Nova Zelândia até Nova Iorque.

Apesar de ser uma estreia nas Nações Unidas, não é a primeira vez que uma criança de poucos meses é notícia por acompanhar os pais no parlamento, por exemplo. Aconteceu em janeiro de 2016, quando em dia de votação para a presidência do Congresso no parlamento espanhol, a deputado do Podemos Carolina Bescansa deu de mamar ao seu bebé enquanto assistia ao plenário na bancada parlamentar. A criança até recebeu um voto, que foi considerado nulo, segundo o El País.

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, também pegou no filho de Bescansa enquanto ocupava o assento na bancada parlamentar do Podemos e brincou com a criança, originando uma onda de 'flashes' dos muitos fotógrafos que acompanham a sessão.

Não é a primeira vez que deputadas europeias levam bebés para os respetivos parlamentos, da holandesa Iolanda Pineda, na Holanda, à dinamarquesa Hanne Dahl no Parlamento Europeu, em 2009.

A eurodeputada Licia Ronzulli, também compareceu na sessão plenária do Parlamento Europeu com a filha de mês e meio ao colo, como ato de reivindicação, e foi aplaudida por isso. Fora da Europa, em julho passado, tornou-se viral a imagem da congressista argentina Victoria Donda Pérez a dar de mamar no parlamento.

O mesmo não aconteceu na Assembleia Municipal de Kumamoto, no Japão, quando Yuka Ogata decidiu levar o filho de sete meses para o trabalho - os colegas masculinos não esconderam a surpresa e a consternação. Apesar de a deputada municipal ter recordado que nada no estatuto da Assembleia proíbe a presença de crianças, os restantes membros acabaram por forçá-la a sair com o bebé, alegando que as visitas são proibidas no hemiciclo.

EUA aprova entrada de crianças até um ano no Senado

Em abril deste ano,- dez dias depois de Tammy Duckworth se ter tornado na primeira senadora a ser mãe no cargo, o Senado dos EUA aprovou, por unanimidade, uma proposta que permite a presença de crianças até um ano na câmara alta do Congresso americano. "Gostaria de agradecer aos meus colegas, de ambos os partidos, [...] por ajudarem a trazem o Senado para o século XXI ao reconhecer que por vezes os pais recentes também têm responsabilidades no trabalho", escreveu a senadora no Twitter.

Com esta mudança nas regras, os senadores pretenderam facilitar a vida a Duckworth, de 50 anos, e aos outros colegas que precisem de levar os filhos para a câmara, mostrando que podem liderar pelo exemplo no que se refere às políticas de apoio à família.

Em Portugal, o Parlamento não tem nenhuma regra que proíba a presença de bebés, mas não se conhecem casos de deputadas que tenham levado os filhos para o hemiciclo. A Assembleia da República tem uma creche à disposição dos funcionários.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.