A australiana que promove Portugal como destino turístico

"Tenho muitos sítios preferidos. Começo pelos Açores. Gosto muito da Nazaré", salienta Emily, a viver em Portugal desde 2016

Visitou Portugal pela primeira vez em finais de maio de 2015, no quadro de uma viagem pela Europa de "dez semanas". Desembarcou no Porto, proveniente de Londres, e a primeira impressão da cidade foi agradável, "exceto pelo clima. Muita chuva, muito diferente da Austrália". Nesta primeira viagem, Emily esteve no Porto, Cascais, com passagem "de um dia por Lisboa", e Lagos. "Na altura, sabia muito pouco de Portugal, era quase um mistério para mim. Mas estava disposta a novas experiências, e como a impressão tinha sido positiva, decidi-me por Portugal. Fiquei com boa impressão do país e como havia um visto de residência para férias e trabalho de um ano, a decisão não foi difícil". Regressa à Austrália para tratar da documentação necessária. A viagem de volta é em fevereiro de 2016. Desde então tem percorrido todo o país - "já visitei mais de cem cidades e outros locais".

Emily lembra-se que no dia em que regressou "estava a chover. E não parou de chover durante três semanas", o que foi quase traumático. "Que diferença do clima australiano", nota. De início, pensava "passar seis meses no Porto, seis meses em Lisboa", mas tinha feito alguns conhecimentos naquela primeira cidade e como "não conhecia quase nada" da capital portuguesa, acabou por centrar-se mais tempo no Norte. Hoje reside em Alfama.

Emily nasceu em Atherton, no estado de Queensland, em 1985. Escreve sobre destinos turísticos, mantém o blogue PortugalWire, escreve para publicações nacionais e estrangeiras, é colaboradora dos guias Lonely Planet. O seu blogue foi considerado pelo Culture Trip como o blogue a seguir por estrangeiros que queiram visitar o país.

Ainda está a dar os primeiros passos no português, mas como praticamente "todos falam inglês, não tenho sentido grande necessidade em me esforçar", confessa. Garante que "não desiste" e que, por outro lado, consegue "compreender parte" do que é dito em português.

Costuma viajar em transportes públicos, "comboios, autocarros, às vezes com amigos". Assim, "posso aconselhar como deve ser os turistas, aqueles que não vão alugar carro e querem ver o país como ele é".

"Tenho muitos sítios preferidos. Começo pelos Açores, que conheci recentemente, a ilha de São Miguel, e quero lá voltar para conhecer as outras ilhas. Gosto muito da Nazaré, da sua atmosfera tradicional e da paisagem, áreas costeiras como a Costa Vicentina, Óbidos, o vale do Douro" e diz, em tom de revelação, gostar "muito de Braga, muito mesmo".

O que mais entusiasma Emily é que "Portugal é tão diferente da Austrália e um país com tanta história, tão antigo, com tantos edifícios belíssimos, igrejas extraordinárias. Fica-se com a ideia de que é um país único. Nós na Austrália somos um país muito jovem comparado com Portugal". Da gastronomia, destaca "as amêijoas à Bulhão Pato, que são muito boas". Considera "os vinhos portugueses muito subvalorizados" e destaca, entre outros, "os vinhos do Alentejo: são os meus preferidos", diz.

Entusiasma-se a falar da "época das Descobertas, como um país pequeno foi tão importante. Abriu caminho à globalização". Emily pensa que, apesar da crescente pressão do número de turistas, "Portugal é capaz de manter as suas tradições, a sua personalidade histórica, não deixar diluir a sua identidade cultural" e insiste no caráter único do país. Tenciona ficar ainda mais alguns anos em Portugal, mas planeia o regresso à Austrália, "um dia". Hoje, com um visto de residente temporária, pensa que "é muito difícil aos australianos viverem na Europa, não podemos circular livremente como os europeus". Mas não afasta um cenário de mudança de planos.

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