"Independentistas só querem confronto e não governar"

Inés Arrimadas não é a favor de novas eleições regionais para resolver impasse na Catalunha, mas se forem necessárias, disse ontem aos jornalistas, está preparada para ganhar

Inés Arrimadas avisa: "Na Catalunha pode acontecer qualquer coisa, pois já vimos de tudo." Num encontro com a imprensa estrangeira ontem em Madrid, a líder do Ciudadanos na Catalunha manifestou grande preocupação com a situação que se está a viver naquela região autonómica de Espanha. "A Catalunha está partida ao meio." Arrimadas tenta, por isso, ser o mais realista possível na procura de uma solução para a questão catalã. "Acredito que existe uma solução mas não é fácil", refere, advertindo: " É um problema entre catalães."

Em primeiro lugar, diz, "não se pode continuar com a ilegalidade. É preciso formar governo com uma maioria parlamentar, respeitar as leis e todos os catalães". Em seguida, considera que deve haver espaço para um "diálogo interno", mas para ter alguém que dialogue em nome da Catalunha é preciso, lembra, um interlocutor e por isso "faz falta ter um presidente". Quando isso suceder "a Generalitat [governo catalão] poderá então negociar com o governo de Espanha".

A líder da formação laranja, que é contra a deriva independentista a que se assiste na Catalunha, sabe que não há uma solução mágica: "Temos de ser realistas." O Ciudadanos ganhou as últimas eleições catalãs em número de votos mas não pôde governar porque quem reuniu maioria absoluta foram os partidos pró-independência. "Temos uma lei eleitoral que é injusta. Mas é a que temos. Para sair desta situação temos de ser sensatos e para isso deve existir um diálogo que não deixe a ninguém de fora." Inés Arrimadas admitiu que "há dois milhões de independentistas na Catalunha e todos devem estar nesse diálogo".

A dirigente política, de 36 anos, não acredita que a melhor solução para a Catalunha neste momento seja novas eleições. Pensa que a região precisa de recuperar a normalidade quanto antes e começar a tratar dos temas urgentes e importantes que afetam todos. Arrimadas garante que os outros partidos estão divididos. "A sociedade catalã está tão dividida que sucede o mesmo no Parlamento." O partido PDeCAT, por um lado, "tem medo de que [Carles] Puigdemont continue a sua luta pessoal". O ex-presidente catalão, atualmente em Berlim, à espera de que a justiça alemã decida sobre o pedido de extradição feito pelas autoridades espanholas, "sabe que a sua vida política e a sua salvação judicial dependem de que seja ainda importante e relevante, de que não seja esquecido", como aconteceu com Artur Mas. E no Parlamento "há muitos deputados que apoiam Puigdemont". A Esquerda Republicana da Catalunha também está dividida. Por isso "ninguém sabe o que vai acontecer. O lógico seria formar um governo, não ultrapassar as leis. Mas não há nada lógico na Catalunha..."

Esta situação está a prolongar-se porque, garante Arrimadas, os independentistas "só querem alimentar o confronto e não governar. É como se sentem cómodos". A dirigente do Ciudadanos, partido que a nível nacional surge em primeiro lugar nas sondagens, lembra que aquelas formações propõem candidatos a líder da Generalitat "que dentro dos próprios partidos não são bem-vistos". É, diz, o caso de Jordi Sánchez, um dos políticos que estão detidos. O que vai fazer então o Ciudadanos? "Estamos preparados para o que acontecer. Não é uma solução ir para eleições [autonómicas antecipadas], mas se nos obrigarem...voltaremos a ganhar e tentaremos conquistar os dois deputados que nos faltam", garante Inés Arrimadas.

Em Madrid

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