"Irmão Número 2". Ideólogo do Khmer Vermelho morre aos 93 anos

Nuon Chea, conhecido como "Irmão Número 2", morreu este domingo, confirmou o tribunal cambojano onde cumpria pena por genocídio e crimes contra a humanidade

Nuon Chea, ideólogo do regime do Khmer Vermelho no Camboja, morreu este domingo aos 93 anos. A notícia foi avançada às agências internacionais pelo tribunal cambojano onde cumpria pena por genocídio e crimes contra a humanidade.

Em 2018, quase quatro décadas depois da queda do regime do Khmer Vermelho, o "Irmão Número 2" foi condenado a prisão perpétua por um tribunal especial das Nações Unidas e do governo do Camboja.

Estima-se que cerca de 1,7 milhões de pessoas tenham morrido entre 1975 e 1979 no Camboja durante o regime do Khmer Vermelho, por causa de trabalhos forçados, doenças, fome e purgas políticas.

Milhares de outros morreram durante a guerra civil que se seguiu à queda da organização maoista dirigida por Pol Pot e que foi dissolvida em 1998. Pol Pot, o "Irmão Número 1", morreu nesse ano, nunca tendo sido julgado.

Foragido desde 1998, Nuon Chea foi preso em 2007, em casa, na selva cambojana, depois de se render ao governo. Foi depois transferido para Phnom Penh para ser julgado pelo tribunal especial da ONU e do governo do Camboja.

Condenado também em 2018, juntamente com ele, Khieu Samphan, chefe do Estado do "Kampuchea Democrático". Esse foi o nome pelo qual foi conhecido o regime liderado pelo Khmer Vermelho, ou seja, seguidores do Partido Comunista da Kampuchea (o partido governante no Camboja entre 1975 e 1979). O tribunal internacional especial considerou provado o crime de genocídio uma vez que, frisou no ano passado o juiz, o objetivo do regime era estabelecer uma sociedade sem religião e homogénea através da supressão de todas as diferenças étnicas, nacionais, religiosas, raciais, de classe e culturais.

O Duch, de seu nome verdadeiro Kaing Guek Eav, chefe da prisão S-21 ou Tuol Sleng, onde 15 mil pessoas foram torturadas antes de serem executadas, nos arredores de Phnom Penh, nos conhecidos "Killing Fields" ou campos da morte, também fora condenado a pena de prisão perpétua em 2012. Dois outros líderes do Khmer Vermelho, Ta Mok e Ieng Sary, chegaram a ser acusados mas morreram antes da conclusão dos seus processos.

Hoje em dia, no lugar do Tuol Sleng, existe em Phnom Pehn, o Museu do Genocídio. No interior do mesmo, existem várias fotografias a preto e branco expostas e um, em tempos, houve um mapa do Camboja feito com 300 ossos humanos. Os ossos são de vítimas do regime de Pol Pot e foram encontrados pelos vietnamitas depois da sua ofensiva militar no Camboja. O mapa foi entretanto desmantelado mas os ossos continuam expostos no museu aberto ao público.

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