Identificados 44 corpos descobertos numa vala comum no México

Autoridades encontraram 119 sacos pretos enterrados perto de Guadalajara. Peritos forenses identificaram 44 dos cadáveres mas há mais partes humanas a serem analisadas.

Peritos forenses no México conseguiram já identificar 44 corpos que estavam enterrados numa vala comum no estado de Jalisco. Descobertos nos arredores da cidade de Guadalajara, os restos humanos estavam escondidos em 119 sacos pretos. É muito provável que haja mais vítimas já que há ainda várias partes de corpos humanos por identificar. Estes massacres são uma realidade chocante deste país da América Central: desde 2006 foram descobertas no país 3024 valas comuns com milhares de mortos - pelo 4974 corpos foram encontrados.

Estes corpos foram descobertos no início de setembro, no dia 3, quando os moradores da zona começaram a reclamar do cheiro nauseabundo. Jalisco é o coração de uma das áreas mais violentas do México e os gangues e organizações ligadas ao tráfico de droga e outra criminalidade organizada são tidos normalmente como responsáveis por estes crimes.

A grande maioria dos corpos estava cortada, de modo que as autoridades tiveram que reunir partes diferentes para identificá-los. Muitas partes de corpos permanecem não identificadas. Segundo a agência Efe, o Instituto de Jalisco de Ciências Forenses concluiu que os restos descobertos pertencem a pelo menos 44 pessoas, das quais registaram nove corpos completos, 17 incompletos, nove cabeças e nove troncos de pessoas diferentes.

Depois de verificar o conteúdo dos 119 sacos, "ainda existem vários restos humanos que os especialistas continuam a analisar" pelo que o número de vítimas pode aumentar, disseram as autoridades. A maneira como os corpos foram depositados e ocultos na vala, localizada no município de Zapopan, torna a sua identificação mais complexa. Foram usadas retroescavadoras para abrir a vala.

O coordenador do Gabinete de Segurança do estado de Jalisco, Macedonio Tamez Guajardo, disse que os corpos descobertos apresentam entre três dias e um ano de evolução cadavérica, o que dificulta a análise forense.

Localizada a cerca de um quilómetro da sede da Polícia Federal, a vala com mais de dez metros de profundidade é a maior encontrada em Jalisco. Em 2013 foram encontradas duas no município de La Barca com 67 corpos.

Esta vala fica num terreno de cerca de quatro hectares, rodeado por um muro, com casas próximas, localizado a apenas 35 minutos da área metropolitana de Guadalajara. Não se sabe quando os criminosos cavaram o poço de tal profundidade sem que ninguém se apercebesse.

Uma organização local que procura pessoas desaparecidas apelou ao governo para enviar mais especialistas para ajudar na identificação. Aponta que o departamento forense local está sobrecarregado e não possui as habilidades necessárias para concluir a operação.