Dezenas de portugueses perderam casas e bens devido a ciclone

Não há registo de feridos ou mortos entre portugueses, mas houve quem perdesse a casa e os bens, revelou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse hoje, em Bruxelas, que "até agora não há registo de cidadãos portugueses mortos, feridos ou em situação de perigo" devido à passagem do ciclone Idai em Moçambique, mas "várias dezenas perderam casas e bens".

"Felizmente, até agora não temos registo de cidadãos portugueses mortos, feridos ou em situação de perigo, mas ainda não conseguimos contactar todos (...) Infelizmente, temos já notícia de várias dezenas de compatriotas nossos que perderam as suas casas e os seus bens e que se encontram alojados, por exemplo, em unidades hoteleiras ou noutras casas de amigos ou vizinhos e estamos a fazer os levantamentos desses danos nos bens pessoais", disse Augusto Santos Silva.

O chefe de diplomacia, que falava no final de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, indicou que a equipa avançada enviada a partir da embaixada em Maputo para prestar apoio ao cônsul-geral na Beira e à sua equipa "bateu toda a zona centro da cidade da Beira e as estradas que se encontram transitáveis", tendo feito um "reconhecimento nos hospitais e das unidades de saúde locais para ver se havia portugueses entre as vítimas".

Congratulando-se por não haver para já registo de vítimas ou portugueses em situação de perigo - "por exemplo isolados pelas águas ou em aldeias ou povoação em risco de catástrofe" -, o ministro ressalvou todavia que ainda "é prematuro dar por concluído esse levantamento", pois, até devido às grandes dificuldades de comunicações, ainda não foi possível contactar todos os milhares de portugueses registados na região.

O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse hoje que o número de mortes devido ao ciclone poderá ultrapassar as mil, assinalando que "o país vive um verdadeiro desastre humano de grandes proporções".

"Até ao momento, formalmente, há registo de acima de 84 óbitos, mas tudo indica que poderemos registar mais de mil óbitos", afirmou Filipe Nyusi, numa declaração à nação, sobre a situação provocada pelo ciclone Idai.

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