Bombeiros do Brumadinho vão ajudar Moçambique

Bombeiros que participaram nas operações de resgate após a rutura da barragem que fez 212 mortos no Brasil, em janeiro, embarcaram esta sexta-feira à noite para Moçambique. Vão atuar na Beira, capital da província de Sofala, zona mais fustigada pelo ciclone Idai

Um grupo de bombeiros do estado brasileiro de Minas Gerais que atuaram nos trabalhos de busca no município do Brumadinho, após à rutura de uma barragem a 25 de janeiro, embarcaram sexta-feira à noite na para Moçambique, atingido pelo ciclone Idai.

Os bombeiros da equipa de busca e salvamentos da Força Nacional de Segurança Pública atuarão prioritariamente na cidade de Beira. A capital da província moçambicana de Sofala é a segunda maior cidade do país e foi uma das regiões mais afetadas pelos fortes ventos, chuvas e inundações causadas pela passagem do ciclone Idai.

De acordo com a corporação, citada pelo portal de notícias G1, os bombeiros em causa são uma referência mundial neste tipo de resgate devido às técnicas desenvolvidas nas tragédias de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, e de Brumadinho, localidades devastadas por ruturas de barragens.

O grupo é especializado em salvamentos em soterramentos, enchentes, inundações, em estruturas colapsadas e em operações aéreas. A rutura da barragem do Brumadinho fez 212 mortos e 93 desaparecidos. 395 pessoas foram localizadas com vida nas operações de salvamento.

A ida dos bombeiros para Moçambique foi articulada pelo governo brasileiro através do Ministério das Relações Exteriores.

A equipa viajou em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), levando consigo veículos, pequenos barcos e outros equipamentos fornecidos pela Força Nacional e pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. Partiu sexta-feira à noite do aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte.

O Ministério da Saúde brasileiro doou ainda seis kits de medicamentos "capazes de prover assistência de emergência a nove mil pessoas, por um período de até um mês", adiantou o governo do país sul-americano, em comunicado.

O número de mortos provocados pelo ciclone Idai e as cheias que se seguiram subiu para 502 em Moçambique, segundo anunciaram as autoridades moçambicanas.

O último balanço, apresentado no centro de operações de socorro da cidade da Beira, aponta ainda para 1.523 feridos e 839.723 pessoas afetadas pelo desastre natural de 14 de março.

O total de desalojados em centros de acolhimento mantém-se em 140,784, assim como o número de famílias beneficiárias de assistência humanitária: 29.098.

Os outros dados publicados pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) que sofreram alterações foram o total de salas de aula afetadas, que subiu para 3.318, com 150.854 alunos prejudicados, e o número de casas totalmente destruídas que ascende 56.095 (com outras 28.129 parcialmente danificadas), sendo que a maioria são habitações de construção precária.

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