Ia dar a volta ao mundo. Agora cruzeiro com 1800 passageiros procura porto para atracar

Navio italiano deveria terminar a sua viagem de volta ao mundo no dia 26 de abril em Veneza. Mas passageiros querem voltar a casa quanto antes.

Quando partiram de Barcelona a 11 de janeiro, o mundo era diferente. O cruzeiro Costa Deliciosa, com cerca de 1800 passageiros, deveria dar a volta ao mundo mas a viagem foi suspensa, algures entre a Austrália e Madagáscar. O navio encontra-se oceano Índico à espera de autorização para atracar em algum porto. Os passageiros, com uma média de idade superior a 70 anos, são sobretudo espanhóis, franceses, italianos e alemães.

Nos dois primeiros meses da viagem, visitaram portos da América Latina, Ilhas do Pacífico, Nova Zelândia e Austrália. Na terça-feira, fizeram uma paragem para reabastecimento em Reunião, mas nenhum passageiro teve autorização para desembarcar. O plano a partir de agora incluía Madagáscar, Seicheles, Maldivas, Sri Lanka, Índia, Omã, Jordânia, Grécia e Itália. A última paragem prevista seria Veneza, a 26 de abril, mas, segundo conta o El País, a maioria dos passageiros quer evitar chegar à Itália, principal foco da pandemia na Europa.

As opções até lá também não são claras. O capitão informou que a companhia de navegação Costa Cruzeiros está a tentar encontrar uma solução segura. Não é fácil. Na Espanha, por exemplo, um decreto de 12 de março proíbe a entrada em portos espanhóis de todos os navios de cruzeiro.

Posto isto, os passageiros procuram alternativas à opção de passar mais um mês no mar, sem poder ir a terra. "Enviámos uma carta ao capitão para considerar a passagem por portos na Espanha e na França [para deixar os passageiros], em vez de contornar o oceano", explica o galego Carlos Fajardo, do Costa Deliciosa. Há alguns dias, outro navio da Costa Cruzeiros conseguiu desembarcar os franceses em Marselha, mas a França negou a entrada dos restantes passageiros.

"As medidas dentro do navio também são rigorosas, em termos de profilaxia e assepsia, mas não impedem a coexistência e o contacto social nas diferentes salas do navio", explica Fajardo ao jornal espanhol.

No próximo sábado termina a quarentena dos últimos 15 passageiros que estiveram em terra - em Perth, na Austrália. Nas últimas duas semanas ficaram em quarentena, trancados nas suas cabines desde que chegaram a bordo com máscaras e roupas de segurança. Nesse dia, se tudo correr bem, o barco, será declarado limpo, sem nenhuma infeccão.

A empresa italiana Costa Cruzeiros garante que "o único itinerário atualmente viável e o mais seguro é fazer paragens técnicas sempre que permitido". A empresa garante que está a trabalhar com as autoridades italianas para encontrar o porto mais adequado para atracar, aquele que garanta "a máxima segurança e a possibilidade de organizar rapidamente o regresso a casa" dos passageiros (1830 pessoas) e da tripulação (899 pessoas).

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