Homem processa polícias que o obrigaram a confessar um homicídio

Lawrence Montoya tinha 14 quando foi obrigado a confessar um crime que não cometeu e foi condenado a prisão perpétua

Lawrence Montoya acusa a polícia de Denver, nos Estados Unidos, de o ter obrigado a confessar um crime que não cometeu, quando tinha 14 anos. Lawrence passou 13 anos preso e agora abriu um processo contra as autoridades, após um teste de ADN provar que ele não era o culpado pelo homicídio de uma professora.

O teste de ADN que veio levantar dúvidas sobre a sentença de Lawrence não tinha sido realizado no julgamento inicial e por isso Lawrence passou 13 anos, sete meses e 13 dias preso, só voltando a estar em liberdade em 2013, com 31 anos.

Agora, Lawrence pede 30 milhões de dólares por danos causados por "interrogatório coercivo" e falsa prisão, segundo o New York Times, e senta no banco de réus vários membros das forças de segurança, entre polícias e detetives, e representantes da cidade de Denver.

No ano de 2000, o jovem de 14 anos foi condenado a prisão perpétua por homicídio qualificado e roubo, junto com um amigo de 16 anos, Nicholas Martinez. Lawrence Montoya e o amigo eram acusados de terem roubado o carro à professora Emily Johnson e de a terem assassinado, apesar de não existirem evidências físicas que ligassem Lawrence à cena do crime.

Na altura, o jovem foi interrogado pela polícia de Denver durante cerca de três horas. Aos gritos, os detetives disseram-lhe que ele iria passar o resto da vida na cadeia, enquanto batiam nas mesas e se mostravam agressivos, até que Lawrence, que na altura estava no oitavo ano, confessou.

Um vídeo do interrogatório, divulgado numa reportagem do canal de televisão KWGN, mostra Lawrence encolhido numa cadeira e até a chorar em frente aos polícias. Ele negou 65 vezes que tinha cometido o crime mas acabou por ceder à pressão e disse que tinha estado na casa da professora.

Lawrence conta agora no processo que na altura tinha "dificuldades de aprendizagem" e sofria de instabilidade "emocional".

"Ele praticamente cresceu na prisão por algo que não fez", disse Jane Fisher-Byrialsen, uma das advogadas de Lawrence. "Ele está agora a tentar habituar-se a viver num mundo com internet e telemóveis e coisas a que ele não tinha acesso antes".

Ele praticamente cresceu na prisão por algo que não fez

Em dezembro de 2000, a professora Emily Johnson foi atacada dentro de casa, em Denver, e acabou por morrer devido aos ferimentos. No processo contra a polícia, Lawrence afirma que estava a dormir na casa da namorada na altura do crime mas que acabou por se tornar um dos suspeitos por ter andado no carro roubado da professora com uns amigos.

Depois de condenado, Lawrence sempre se declarou inocente, mas apenas em 2013 foi visto como tal, quando os advogados pedirem uma análise de ADN a um casaco e sapato encontrados no local do crime que os detetives diziam ser de Lawrence.

Estas provas, que nunca tinham sido testadas antes, mostraram que o jovem preso aos 14 anos não era o homem que matou a professora.

Estas provas, que nunca tinham sido testadas antes, mostraram que o jovem preso aos 14 anos não era o homem que matou a professora.

O caso de Lawrence é um dos muitos em que testes de ADN revelam falhas em julgamentos e condenações. Pelo menos 342 condenações foram anuladas nos Estados Unidos desde 1989 porque testes de ADN vieram provar a inocência do condenado. Segundo The Innocence Project, uma organização que se dedica a defender presos inocentes, em 96 dos casos os suspeitos tinham sido obrigados a confessar.

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