Saqueadores atacam aldeia por causa do viagra dos Himalaias

Um grupo de saqueadores invadiu as colheitas do cogumelo 'cordyceps sinensis', conhecido pelos efeitos afrodisíacos, e abriu fogo indiscriminadamente

Um homem foi morto e três ficaram feridos numa região montanhosa do Nepal, depois de uma luta por um cogumelo conhecido como 'viagra dos Himalaias', devido aos seus supostos efeitos afrodisíacos, disseram esta sexta-feira as autoridades.

Todos os anos, no Tibete e no Nepal, milhares de aldeãos colhem o 'cordyceps sinensis', chamado localmente yarchagumba, um parasita que cresce no corpo de uma lagarta.

Na vizinha China, onde é utilizado na medicina, o cogumelo vende-se muito caro porque não se encontra durante todo o ano.

As autoridades do distrito ocidental de Mugu disseram ter enviado para os lugares de confronto uma equipa de polícias na quarta-feira, mas que apenas chegou hoje.

"Uma pessoa foi morta e três ficaram feridas quando uma dezena de saqueadores abriu fogo indiscriminadamente", disse à agência francesa AFP Keshab Raj Sharma, chefe do distrito de Mugu. "Os aldeãos disseram que o grupo tinha invadido as suas colheitas".

Não é a primeira vez que há violência por causa do 'cordyceps sinensis'. Em 2009, nove pessoas foram mortas numa disputa de direitos de colheita.

Nenhuma equipa médica conseguiu chegar lá e um helicóptero médico teve de voltar para trás devido ao mau tempo.

A yarchagumba, que significa "planta estival, inseto hibernal" em tibetano, cresce acima de 3.500 metros. Implanta-se num lagarto que mata lentamente e cresce a partir do corpo do inseto.

Nenhuma pesquisa sobre os cogumelos foi publicada. Mas os especialistas chineses acreditam que melhoram a performance sexual. Se se mergulhar na água quente para fazer um chá ou se se juntar a sopas ou guisados, acredita-se que os cogumelos são capazes de curar a fadiga e o cancro.

Nos últimos anos, as colheitas estão a diminuir, provavelmente devido à sobre-exploração.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.