Hollande promete inquéritos em França. Bélgica, México e Costa Rica também

Presidente francês congratulou-se com a possibilidade de novas receitas fiscais

O presidente francês, François Hollande, assegurou hoje que as revelações de uma investigação internacional sobre os paraísos fiscais levarão à abertura de inquéritos em França e agradeceu aos denunciantes, congratulando-se com novas "receitas fiscais".

"Todas as informações que forem entregues resultarão em inquéritos dos serviços fiscais e em processos judiciais", declarou Hollande. O presidente francês considerou ser "uma boa notícia" o "conhecimento dessas revelações" porque "dará ainda receitas fiscais por parte de quem tem defraudado", sublinhando que em 2015 "20 mil milhões de euros foram notificados a quem defraudou" e que, deste total, o Estado "já recuperou 12 mil milhões de euros".

"Por isso, agradeço aos denunciantes, agradeço à imprensa que se mobilizou e não tenho dúvidas de que os nossos investigadores estão prontos para estudar estes dossiês e casos em prol primeiro do que pensamos ser a moral e também em defesa das nossas finanças públicas", disse ainda.

Hollande insistiu que os "denunciantes fazem um trabalho útil para a comunidade internacional" e "correm riscos", pelo que "devem ser protegidos".

Em Bruxelas, o ministro das Finanças da Bélgica, Johan Van Overtveldt, assumiu estar "muito impressionado" com o "escândalo" e criou uma comissão especial para investigar eventuais fugas de impostos de pelo menos 732 cidadãos belgas.

Segundo o jornal Le Soir, entre os belgas mencionados figuram artistas, aristocratas e herdeiros de patrimónios familiares, médicos, farmacêuticos, contabilistas, líderes do setor têxtil, académicos e personalidades dos mundos da comunicação, negócio de diamantes e da indústria.

A maior investigação jornalística da história, dada a conhecer na noite de domingo, envolvendo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, destaca os nomes de 140 políticos e funcionários de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas "offshore" em mais de 200 países e território.

Na Cidade do México, e num comunicado, o Governo mexicano indicou que vai investigar os dados de um número não avançado de personalidades e empresas mexicanas aparentemente envolvidas.

No entanto, sabe-se que, entre as personalidades mexicanas figuram Juan Armando Hinojosa, dono do Grupo Higa, e que também já esteve envolvido no escândalo do "Caso Casa Branca", que envolveu o presidente Enrique Pena e respetiva mulher, Angélica Rivera, bem como o presidente da TV Azteca, Ricardo Salinas.

Também o Governo da Costa Rica vai investigar os nomes de personalidades e de empresas costa-riquenhas que surgem na lista para determinar eventuais fugas de impostos, mas o número de envolvidos não foi adiantado.

Antes, a Austrália indicou estar a investigar 800 cidadãos por possíveis evasões tributárias após a divulgação da lista de nomes, alegadamente envolvidos em esquemas de corrupção com offshores

"Atualmente identificámos mais de 800 contribuintes (australianos) e ligámos mais de 120 deles a um fornecedor associado de serviços situado em Hong Kong", disse o departamento australiano de impostos ao diário The Australian Financial Review.

Segundo a estação local ABC, os suspeitos australianos estão sobretudo ligados à "Popular Corporate Service Limited", um dos fornecedores de serviços "offshore", que procura os serviços da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca para alegadamente contornar a lei.

Na Cidade do Panamá, o Governo panamiano garantiu que irá "cooperar vigorosamente" com todos os Estados sempre que se detetarem provas legais de fuga ao fisco de qualquer um dos visados nos documentos, assegurando um "comprometimento total com a transparência" e "tolerância zero" para qualquer delito.

A lista, que inclui 72 chefes ou ex-chefes de Estado entre os clientes da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca citados por alegados crimes económicos, foi divulgada pelo ICIJ, consórcio que agrega mais de 100 meios de comunicação.

A série de nomes inclui o rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón, o Presidente da Argentina, Mauricio Macri, o futebolista Lionel Messi e o cineasta espanhol Pedro Almodóvar.

O Presidente russo não aparece em nenhum dos registos, mas os dados revelam um padrão: os seus amigos, Yuri Kovalchuk e Sergei Roldugin ganharam milhões em negócios, que aparentemente não poderiam ter sido efetuados sem o seu patrocínio, refere o jornal The Guardian.

Segundo a investigação, na China, personalidades próximas de altos dirigentes chineses, incluindo do Presidente Xi Jinping e do ex-primeiro-ministro Li Peng, esconderam fortunas em paraísos ficais através de empresas de fachada.

Entre os familiares ou pessoas próximos de altos responsáveis chineses figura Deng Jiagui, marido da irmã mais velha de Xi Jinping, bem como o nome de Li Xiaolin, filha de Li Peng, primeiro-ministro chinês entre 1987 e 1998.

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