Hollande declara 2017 ano de vitória contra o terrorismo

Presidente francês defende que reconstrução do Iraque ajudará a evitar ataques do Estado Islâmico em França.

François Hollande esteve ontem em Bagdad e garantiu às tropas francesas lá estacionadas esperar que 2017 "seja o ano da vitória contra o terrorismo". Enquanto isso, também na capital do Iraque, o Estado Islâmico realizava um atentado com um veículo armadilhado, matando dezenas de pessoas.

"Tudo o que contribua para a reconstrução do Iraque é um passo adicional para evitar ataques do Daesh no nosso território", declarou o presidente francês, o único líder dos maiores países da coligação internacional a visitar o Iraque desde o início desta força conjunta contra o Estado Islâmico, há dois anos e meio. "O Daesh está a recuar e será derrotado", garantiu Hollande. "Este ano será o ano da vitória contra o terrorismo", prosseguiu.

Se o Iraque, país onde se desenvolveu o Estado Islâmico, é alvo frequente de atentados contra civis, França também o é, nomeadamente contra o Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, em Paris, a 13 de novembro do mesmo ano, e em Nice, a 4 de julho de 2016. Nestes três ataques morreram 233 pessoas.

Nestes atentados participaram vários terroristas de nacionalidade francesa, sendo que atualmente, de acordo com fontes diplomáticas, existem cerca de 60 franceses jihadistas só em Mossul, no norte do Iraque, e centenas de outros no resto do país e na Síria.

Números que levaram ontem Hollande a garantir que a França irá combater quaisquer jihadista francês com que se defronte no Iraque, prendê-los se regressarem e casa e trabalhar na desradicalização dos seus filhos. "Vamos combatê-los como combatemos todos os jihadistas desde que eles nos ataquem, desde que preparem ataques contra o nosso território", afirmou o chefe de Estado francês.

Um dos jihadistas franceses, Nicolas Moreau, de 32 anos, foi ontem condenado em Paris a dez anos de prisão por associação criminosa com objetivos terroristas, a pena máxima por este crime.

"Se vocês me condenarem a mais de 18 meses, francamente, vou pegar em armas. Não contra a França, mas contra outros países", declarou na audiência de 14 de dezembro. Nicolas passou cerca de um ano nas fileiras do Estado Islâmico no Iraque e na Síria e é também o irmão de Flavien Moreau, o primeiro jihadista a ser julgado depois de regressar da Síria, em novembro de 2014.

Mais de 60 mortos

A visita de Hollande a Bagdad ficou marcada por mais um atentado Estado Islâmico na capital iraquiana, com um carro armadilhado a matar 24 pessoas, e ferindo 64, numa movimentada praça de Sadr City. Outros militantes jihadistas cortaram temporariamente uma importante estrada que liga Bagdad a Mossul, o último grande reduto do Estado Islâmico no Iraque.

Num comunicado, o Estado Islâmico explicou que tinha como alvo um grupo de muçulmanos xiitas, a quem consideram apóstatas.

Pelo menos quatro outros ataques em Bagdad, alguns também reivindicados pelo Estado Islâmico, mataram nove pessoas, fazendo subir o número total de vítimas mortais nos últimos três dias para mais de 60. "Os terroristas vão tentar atacar civis de forma a compensar as suas perdas, mas garantimos aos iraquianos e ao mundo que somos capazes de por fim ao terrorismo", declarou ontem o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abad, depois de se encontrar com Hollande.

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