Historiadores avisam que Palmira continua em risco

Setenta e cinco por cento da cidade antiga de Alepo está destruída e no vale do Eufrates os saques alcançaram um nível "industrial", alertam

Uma grande parte da riqueza arqueológica síria desapareceu durante a guerra que causou danos enormes em Alepo, no vale do Eufrates e Palmira, onde o risco continua devido à ação do exército russo e forças governamentais perante a inação internacional.

Isto foi o que asseguraram à agência EFE os historiadores peritos em Oriente e Médio Oriente Maurice e Annie Sartre que também integram o mundo de peritos sobre o património sírio na Unesco e que acabam de publicar "A cidade de Palmira, um tesouro arqueológico em perigo" apresentado na Feira do Livro em Madrid.

Setenta e cinco por cento da cidade antiga de Alepo está destruída e no vale do Eufrates os saques alcançaram um nível "industrial" e os bombardeamentos causaram destroços no Museu de Azulejos de Maarat al Numan, no teatro romano de Bosra e na basílica de Simeón.

Em Palmira desapareceram o Arco do Triunfo e os templos de Baal Shamin e Bel enquanto os Hipogeu dos Três Irmãos, onde os islamitas montaram um escritório sofreu muitos danos.

"Dos 3.000 sítios arqueológicos existentes na Síria, pelo menos um terço desapareceu. A guerra provocou também uma catástrofe humanitária, mas também histórica", afirmou Annie Sartre.

E tudo isso não se deve apenas à ação do Estado Islâmico, também aos bombardeamentos dos russos e das forças Bashar al-Asad que lançaram barris de TNT a partir de aviões de segmentação de locais específicos de interesse histórico.

"Fazem-no para castigar as populações contrárias ao regime de Al Asad, utilizam a destruição do património como represália", assegura o casal de peritos que denunciam os crimes contra o património que ocorrem na Síria desde que a guerra começou há cinco anos.

A ocupação de Palmira pelo Estado Islâmico atraiu a atenção do mundo e dos meios de comunicação social mas os danos em Palmira ocorreram desde o primeiro dia que as forças de Al Asad fizeram bombardeamentos sistemáticos dos sítios arqueológicos com a desculpa de que os rebeldes se tinham escondido neles.

Além de que para o regime de Al Asad, tal como para o de Sadam Hussein no Iraque, o património anterior ao islão não faz parte do seu acervo cultural.

Portanto, as forças governamentais não têm feito o suficiente para proteger Palmira ou outras áreas da Síria, igualmente saqueadas, e só as populações locais têm tentado proteger os locais com os poucos meios de que dispõem.

No caso de Palmira, aos danos provocados pelos militares russos e sírios acresce a falta de ações concretas por parte da Unesco.

O exército russo, por exemplo, dedicava-se a levar centenas de pessoas para visitar a cidade, para demonstrara que estava livre, sem se importar por onde passavam, assegurou Annie Sartre.

E a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, não está a fazer o suficiente peça Síria porque é uma das candidatas a ocupar o cargo de secretária-geral da ONU e tem o apoio de Vladimir Putin, aliado do regime de Bacher al Asal, acrescenta a especialista.

A nível internacional, um grupo de reconhecidos peritos reuniu-se em finais de abril em Varsóvia para oferecer a sua ajuda e pedir à Unesco que intervenha para parar a destruição do património sírio impedido igualmente que a Rússia inicie os trabalhos de reconstrução da cidade sem supervisão.

Na opinião do casal Sartre, há que aguardar que a guerra termine para elaborar um inventário dos danos e estudar a melhor forma de o reconstruir ou reabilitar onde for necessário.

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