Heidi e Melania: guerra entre Cruz e Trump já chega às candidatas a primeira-dama

Uma tem 43 anos, a outra 45. Uma é economista, a outra ex-modelo. Uma tem papel de relevo na campanha do marido, a outra mantém-se discreta.

Os media americanos já chamam Wifegate à guerra aberta entre Ted Cruz e Donald Trump envolvendo as suas mulheres (wives, em inglês). Heidi e Melania têm servido de arma de arremesso entre os dois candidatos à nomeação republicana depois de Trump ter ameaçado revelar os segredos da economista em retaliação por um grupo que apoia Cruz ter usado uma imagem da ex-modelo eslovena nua num anúncio de campanha. As suas reações foram tão diferentes quanto o papel que cada uma tem tido na campanha para as presidenciais de novembro nos EUA. Heidi respondeu, lembrando que muitas coisas que o magnata diz "não são verdade"; Melania manteve o silêncio.

Ativa e muito presente na campanha do marido, Heidi Cruz não se limita ao papel muitas vezes decorativo da candidata a primeira-dama. Não hesita em subir ao palanque para discursar e é também a responsável pela recolha de fundos. Afinal estamos a falar de uma mulher de 43 anos que fez carreira em bancos de investimento, tendo deixado o cargo no Goldman Sachs em 2015 para apoiar as ambições presidenciais do marido.

Foi precisamente esta carreira brilhante que fez com que passasse a maior parte da vida de casada longe do marido - ela a tentar afirmar-se em Washington; ele a apostar na política no Texas. Depois, já pais de duas filhas, ele a viver em Austin e ele em Houston. E enquanto Trump e Cruz trocaram ataques no Twitter, os tabloides americanos encheram-se de rumores sobre as infidelidades do agora senador do Texas e recordaram a depressão que em 2005 deixou Heidi de cabeça entre as mãos, sentada na berma da autoestrada até chegar a polícia.

Ted Cruz apressou-se a negar estes boatos, acusando mesmo Trump de estar por detrás das notícias. O magnata do imobiliário, por seu lado, declarou-se inocente, enquanto ia retweetando uma mensagem de um apoiante com as imagens de Heidi Cruz e Melania Trump lado a lado e o seguinte texto: "Não é preciso revelar segredos. Uma imagem vale mais que mil palavras."

Longe da campanha

Nascida há 45 anos na Eslovénia (então parte da Jugoslávia), Melania Trump tem feito de tudo para não se envolver na campanha do marido. Mãe a tempo inteiro, de Barron, de 10 anos, a ex-modelo abriu uma exceção em fevereiro quando deu uma entrevista à MSNBC na qual admitiu que nem sempre concorda com o marido e falou sobre a sua experiência como imigrante, sublinhando: "Sempre respeitei a lei."

Filha de um vendedor de carros e de uma designer de moda, Melania seguiu os passos da mãe, mas como modelo, apesar de se ter licenciado em Design e Arquitetura na Universidade de Liubliana. Com uma carreira iniciada aos 16 anos, desfilou em Paris, Milão e Nova Iorque, onde se instalou em 1996. Dois anos depois conheceu Trump numa festa. Em 2005 tornava-se a terceira mulher do milionário, 24 anos mais velho do que ela e já pai de três filhos adultos, dedicando-se hoje à sua linha de joias e às causas humanitárias.

Fluente em várias línguas - inglês, esloveno, francês, italiano ou alemão -, Melania prefere manter-se na sombra do marido e dedicar-se a ser "mãe a tempo inteiro", como contou na entrevista que deu rodeada dos dourados da penthouse da Trump Tower em Nova Iorque. Raramente saindo do papel de candidata a primeira-dama que apenas sobe ao palco para aplaudir o marido, Melania Trump inspirou um perfil no The New York Times intitulado "A Parceira Silenciosa". Já o The Washington Post escreveu: "Conheça Melania Trump, novo modelo de primeira-dama." Tudo porque se os Trump chegarem à Casa Branca, Melania trará várias novidades: será a primeira primeira-dama nascida no estrangeiro desde Louisa Adams, no século XIX, e a primeira vez que os EUA terão um presidente que vai no terceiro casamento (Ronald Reagan era casado em segundas núpcias com Nancy).

Sem qualquer cargo formal nem salário, a primeira-dama é uma figura que evoluiu ao longo dos tempos. E basta olhar para as últimas décadas para encontrar mulheres tão diferentes como uma Barbara Bush, simpática e maternal, uma Hillary Clinton, politicamente interventiva, uma discreta Laura Bush ou uma enérgica Michelle Obama. E em 2017 os americanos ainda podem deparar-se com outras novidades: a chegada de uma mulher - Hillary - à presidência e o regresso de um ex-presidente - Bill Clinton - no papel de first husband, ou "primeiro-marido".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG