Heidi Cruz deixa carreira no Goldman Sachs para apoiar sonho do marido

Economista de 43 anos deixou banco de investimento em 2015. Agora faz discursos e recolhe fundos para levar Ted Cruz à Casa Branca

Aos seis anos, Heidi Cruz (na altura ainda Heidi Nelson) revelou os primeiros dotes para o negócio: montou uma banca de venda de pão em San Luis Obispo e todos os dias passava horas na cozinha com o irmão depois das aulas. Filha de dois missionários da Igreja Adventista do Sétimo Dia cujo trabalho como dentistas levou toda a família à Nigéria e Quénia, Heidi acabou por se formar em Economia e Relações Internacionais. E depois de uma curta passagem pelo Departamento de Estado durante a Administração Bush filho, em 2005 foi contratada pelo banco de investimento Goldman Sachs. Mas há quase um ano desistiu de uma brilhante carreira como gestora de fortunas para apoiar o sonho presidencial do marido, Ted.

Com uma pós-graduação na Universidade Livre de Bruxelas e um mestrado na Harvard Business School, Heidi conheceu Ted Cruz em 2000 na campanha presidencial de Bush em que ambos participaram no Texas, ela como conselheira económica, ele como conselheiro político. Segundo o New York Times, o primeiro encontro dos dois foi um jantar que acabou por durar quatro horas. Quando Ted a levou ao aeroporto para ela regressar a Harvard, perguntou: "O que queres fazer agora?" Ao que ela respondeu: "Se queres mesmo manter o contacto, quero falar contigo todos os dias."

Em maio de 2001, Ted e Heidi casavam, mas os anos seguintes iam revelar-se cheios de obstáculos. Enquanto Heidi se afirmava em Washington, trabalhando diretamente com a então conselheira para a Segurança Nacional Condoleezza Rice (mais tarde secretária de Estado), Ted regressava ao Texas, onde viria a ser eleito advogado geral do estado.

Obrigada a viagens constantes para estar com o marido, Heidi decidiu sacrificar-se e mudar-se para o Texas. Contratada pela sucursal de Houston do banco de investimento Merrill Lynch, a economista instalou-se naquela cidade, bem mais próxima de Austin, onde Ted trabalhava, do que Washington. Mas os problemas não desapareceram. Numa entrevista recente, Heidi confessou: "Voltei a viver sozinha numa cidade e foi estranho mudar-me para estar com o meu marido e continuar a não estar com ele." E na sua autobiografia A Time for Truth (Momento de Verdade, numa tradução livre), Ted Cruz admite que a mudança para o Texas lançou a mulher "num período de depressão".

A verdade é que foi uma Heidi de cabeça entre as mãos que em agosto de 2005 chamou a atenção da polícia de Houston, sentada junto à autoestrada. Num relatório a que o site BuzzFeed News teve acesso em primeira mão, o agente diz ter tido a certeza de que Heidi era "um perigo para a sua própria segurança".

A viragem surgiu pouco depois quando foi contratada pelo Goldman Sachs, onde era a primeira a chegar e a última a sair. E nem a promoção a chefe da delegação de Houston nem a campanha de Ted para o Senado impediram o casal de cumprir o sonho de serem pais. Em 2008 nascia Caroline e três anos depois Catherine. Mas Heidi continuou a trabalhar e a viver longe do marido, recorrendo a amas para a ajudar a cuidar das filhas. Até à primavera do ano passado, quando largou tudo para apoiar Ted no seu sonho de chegar à presidência.

Discursos e sorrisos

Nos últimos meses, Heidi trocou o papel de executiva feroz pelo de esposa perfeita: sorriso radiante, mãos nos ombros das filhas e olhar de admiração posto no marido enquanto este discursa na corrida à nomeação republicana para as presidenciais de novembro. Mas também não teme subir ao palco para garantir: "Eu nunca teria desistido do meu emprego e de mais tempo com as minhas filhas se não acreditasse do fundo do coração que Ted pode vencer estas eleições."

E com as sondagens a colocarem-no cada vez mais perto de Donald Trump, apesar da polémica pelo facto de ter nascido no Canadá, Ted Cruz precisa mais do que nunca de Heidi. Não só para o apoiar nos comícios, mas como responsável pela recolha de fundos. Afinal teve muitos clientes ricos e poderosos quando trabalhava na Goldman Sachs. Com tanta influência e talento político não falta quem, como o Washington Post, a compare a Hillary Clinton. Mas para já é como primeira-dama que Heidi quer chegar à Casa Branca.

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