Hamas apela a nova intifada dos palestinianos contra Israel

O grupo palestiniano Hamas apelou hoje a uma nova revolta contra Israel depois de Donald Trump ter reconhecido Jerusalém como a capital israelita.

"Devemos pedir e devemos trabalhar no lançamento de uma intifada face ao inimigo sionista", disse o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, num discurso em Gaza.

Esta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos reconheceu Jerusalém como capital de Israel, afirmando que "há muito que já deveria ter sido tomada" esta decisão.

O anúncio de Donald Trump representa uma rotura com décadas de neutralidade da diplomacia norte-americana na questão israelo-palestiniana. Trump também anunciou - como já era esperado - que vai dar ordens ao Departamento de Estado para mudar a embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém.

A decisão está a ser alvo de contestação na Europa e no Médio Oriente, e têm-se assistido a várias manifestações de protesto. Em Belém, na Cisjordânia, estão a verificar-se confrontos.

O exército israelita anunciou entretanto que vai destacar forças suplementares na Cisjordânia, território palestiniano ocupado, mas não especificou o número de efetivos em causa. Um porta-voz do exército israelita indicou que os batalhões adicionais vão ser enviados para a Cisjordânia, e que outras forças estarão prontas para intervir.

Rex Tillerson: Trump está a reconhecer a realidade

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, considerou que Trump está apenas a reconhecer a realidade.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE), Tillerson defendeu a decisão de Donald Trump e argumentou que o Presidente está apenas a reconhecer a realidade.

Confrontado com a crítica generalizada dos ministros presentes na reunião e com o repúdio manifestado pelas autoridades palestinianas, Tillerson argumentou que os Estados Unidos ainda apoiam a solução de dois Estados para o conflito entre israelitas e palestinianos, "se for esse o desejo das duas partes".

Nas declarações citadas pela agência de notícias AP, Tillerson, cujo cargo equivale ao de ministro dos Negócios Estrangeiros, disse que o estatuto final de Jerusalém deve ser dirimido entre os israelitas e os palestinianos.

"O mundo inteiro" quer um processo de paz e os Estados Unidos ainda acreditam que existe uma oportunidade, concluiu o governante.

O primeiro-ministro israelita, por seu lado, defendeu hoje que o presidente dos Estados Unidos "entrou para sempre na história" de Jerusalém. "O Presidente Trump entrou para sempre na história da nossa capital e o seu nome será exibido orgulhosamente junto com outros nomes na gloriosa história da nossa cidade", disse Benjamin Netanyahu, num evento público organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel.

O líder israelita manifestou-se ainda confiante de que outros países irão seguir a iniciativa dos Estados Unidos e mudar as suas embaixadas para Jerusalém.

União Europeia e ONU preocupadas

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, considerou que a decisão de Trump pode levar a "tempos ainda mais sombrios".

O anúncio do chefe de Estado norte-americano pode "levar-nos a tempos ainda mais sombrios do que os que vivemos hoje", disse numa conferência de imprensa em que reiterou que a UE defende a solução de Jerusalém como capital dos dois Estados de Israel e da Palestina.

"O anúncio do Presidente Trump sobre Jerusalém tem um impacto potencial muito preocupante", acrescentou, sublinhando que o contexto da região "é muito frágil".

O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de urgência na sexta-feira. Oito países que estão contra a decisão do presidente dos Estados Unidos - Bolívia, Egito, França, Itália, Senegal, Suécia, Reino Unido e Uruguai - solicitaram o encontro de urgência, pedindo ao secretário-geral da ONU que informe os 15 membros do conselho. António Guterres disse ontem que a paz no Médio Oriente só será possível concretizando a visão de dois estados, com Jerusalém como a capital de ambos, Israel e a Palestina.

Com Lusa e Reuters

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