Há quem duvide do aquecimento global e seja pago para isso

Estudo revela que algumas organizações são financiadas pela petrolífera Exxon Mobil para duvidarem que o aquecimento global é real

É o tema das discussões esta semana em Paris, na Cimeira do Clima, e muitos políticos e cientistas insistem que é fundamental combatê-lo para salvar o planeta, mas há quem ainda duvide das causas e perigos do aquecimento global. Vários céticos, individuais ou em organizações, argumentam que não é possível provar que o aumento da temperatura média do planeta seja devido à poluição e aos combustíveis fósseis. Descobrir quem são esses indivíduos e quem os financia foi o objetivo de um estudo da Escola de Silvicultura e Estudos Ambientais da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

No dia do arranque da Cimeira do Clima, foi publicado na Nature Climate Change um estudo sobre os céticos do aquecimento global, que identificou 4556 indivíduos e 164 organizações que defendem que o aquecimento global não é causado pelos humanos. O autor do estudo, Justin Farrel, analisou os textos e discursos produzidos por estas organizações sobre as alterações climáticas, de 1993 a 2003. E em seguida tentou perceber quem as financia. A principal conclusão é que quem mais financia os céticos são a Exxon Mobil, empresa petrolífera e de gás norte-americana, e o grupo Koch Industries, liderado pelos dirigentes da Exxon Mobil, os irmãos Charles e David Koch.

De acordo com Justin Farrel, professor assistente de sociologia da Universidade de Yale, uma investigação desta dimensão é difícil pois o fluxo de dinheiro de grupo para grupo e de pessoa para pessoa torna o financiamento opaco. Como consequência, o papel desta petrolífera na influência de grupos que negam o aquecimento global nunca tinha sido analisado.

A Exxon Mobil e os seus dirigentes, os irmãos Charles e David Koch, têm sempre negado qualquer envolvimento ou financiamento a grupos que negam o aquecimento global. Mas, para Farrel, estes são um indicador fidedigno da importância dos grandes grupos no movimento que nega as alterações climáticas. O estudo revela que as organizações que receberam dinheiro da Exxon Mobil e dos Koch entre 1993 e 2013 têm "influência sobre fluxos de recursos, comunicação e de produção de informações" a negar o aquecimento global, continua o professor.

Para Robert Brulle, professor de sociologia da Universidade de Drexel, citado pela Bloomberg, o estudo da Universidade de Yale ajuda a perceber como funciona a negação do aquecimento global. "Empresas criam e financiam grupos de especialistas conservadores" que depois passam informações falsas sobre o aquecimento global, que os meios de comunicação divulgam, defende.

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