Guterres vai debater com rivais à nomeação para secretário-geral da ONU

É a primeira vez que os candidatos à liderança das Nações Unidas competem em público pela nomeação. Há 70 anos que a eleição é feita à porta fechada e nos bastidores pelas grandes potências.

Os candidatos vão explicar as suas ideias e intenções para o cargo perante os representantes dos 193 estados membros e participar em debates públicos em Londres e Nova Iorque.

Há 70 anos que o secretário-geral das Nações Unidas era eleito pelo conselho de segurança e só depois apresentado à assembleia geral para ser aprovado. A escolha era feita em função de compromisso geopolítico.

Até à data, apenas sete nomes surgem na lista de candidatos para substituir o sul-coreano Ban Ki-moon. Entre eles, António Guterres, o antigo primeiro-ministro de Portugal que passou os últimos dez anos como alto-comissariado da ONU para os refugiados e que não quis ser candidato presidencial em Portugal.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros afirma que Guterres "é a personalidade com melhores condições" para exercer o mandato tendo em conta "a sua longa experiência política e a forma exemplar como exerceu altos cargos internacionais".

Entre os dias 12 e 14 de abril, os candidatos terão de enfrentar a assembleia geral, numa sessão aberta ao público e à imprensa, para responder a questões e apresentar reformas para tornar a ONU mais eficaz nas respostas aos desafios globais do século XXI, como o aquecimento global e os movimentos migratórios em massa.

O representante do Reino Unido na assembleia, Matthew Rycroft, disse ao Guardian que a novidade "coloca um ponto final nos dias de especulação e de rumores passados a tentar descobrir quem será eleito". "Com este consenso trouxemos transparência a uma prática opaca e arcaica", disse numa referência à antiga eleição feita à porta fechada.

Guterres irá competir com Vesna Pusic (Croácia), Srgjan Kerim (Macedónia), Igor Lukšic (Montenegro), Irina Bokova (Bulgária), também diretora geral da Unesco, Natalia Gherman (Moldávia), e Danilo Türk, antigo presidente da Eslovénia e secretário-geral assistente das Nações Unidas.

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