Guiné Bissau. Um presidente, 4 ex-primeiros-ministros e 2 estreantes entre os 12 candidatos

São 12 os candidatos às eleições presidenciais da Guiné-Bissau do próximo domingo, 24 de novembro, menos um do que em 2014.

Desde 1994, ano das primeiras eleições multipartidárias do país, os mais de 880 mil eleitores guineenses vão eleger democraticamente o seu quinto presidente. Estreantes, históricos, políticos, empresários, os 12 candidatos têm percursos e ideologias muito diferentes.

José Mário Vaz, economista formado em Portugal, que se tornou no primeiro presidente da Guiné-Bissau a concluir um mandato de cinco anos que terminou a 23 de junho, é uma das figuras históricas na corrida presidencial, tentando aos 61 anos um segundo mandato. Agora como independente, depois de em 2014 ter contado com o apoio do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), José Mário Vaz, ou Jomav como é conhecido, foi ministro das Finanças antes de assumir a presidência. Apesar de se ter tornado no primeiro presidente a terminar um mandato, são muitos os críticos da sua atuação ao longo destes cinco anos, sendo acusado de bloquear a ação dos seis chefes de Estado que nomeou e exonerou neste período.

O apoio do PAIGC nestas presidenciais vai para Domingos Simões Pereira, líder do partido desde 2014, que viu o seu nome ser recusado por José Mário Vaz como primeiro-ministro após as legislativas de março deste ano. Com 56 anos, este engenheiro civil formado na antiga União Soviética e com doutoramento em Ciências Políticas, em Portugal, foi secretário-executivo da CPLP entre 2008 e 2012 e primeiro-ministro entre julho de 2014 e agosto de 2015.

Carlos Gomes Júnior é outro dos candidatos que já desempenhou as funções de primeiro-ministro, neste caso por duas ocasiões - entre 2004 a 2005 e entre 2009 e 2012. "Cadogo", como é conhecido, é um dos empresários guineenses mais conhecidos internacionalmente e foi presidente do PAIGC durante doze anos, entre 2002 e 2014. Aos 69 anos, concorre a estas eleições como independente, depois de em 2018 ter regressado à Guiné-Bissau após seis anos de asilo em Portugal.

Também ex-primeiro-ministro, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2018, Umaro Sissoco Embaló concorre às eleições. Aos 47 anos, este general na reserva é apoiado pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15).

Baciro Djá, de 46 anos, encerra o grupo dos quatro ex-primeiros-ministros que se apresentam a votos no próximo domingo. Líder e candidato da Frente Patriótica para a Salvação Nacional (FREPASNA), já pertenceu ao PAIGC e foi ministro da Defesa do Governo de Carlos Gomes Júnior. No Governo de Domingos Simões Pereira desempenhou as funções de ministro da Presidência do Conselho de Ministros, ministro dos Assuntos Parlamentares e porta-voz do Executivo.

Experiência política também não falta a Nuno Gomes Nabiam, atual vice-presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau. Engenheiro de aviação civil, concorre a estas eleições com um duplo apoio partidário: da Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que lidera, e também do Partido Renovação Social (PRS). Nabiam faz este domingo a sua segunda tentativa de chegar à presidência, depois de ter sido candidato independente em 2014, quando foi lançado pelo antigo Presidente Kumba Ialá, sendo frequentemente apelidado de de "herdeiro de Kumba Ialá".

Mais uma campanha eleitoral às presidenciais tem Afonso Té no seu currículo. Esta é a terceira tentativa do presidente do Partido Republicano da Independência para o Desenvolvimento (PRID), tenente-coronel na reserva e antigo vice-chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Guineenses.

Mas o verdadeiro veterano das eleições presidenciais na Guiné-Bissau é Iaia Djaló. No domingo faz a sua quinta tentativa de chegar ao mais alto cargo do país. Líder do Partido da Nova Democracia (PND), do qual foi fundador em 2007, foi ministro dos Negócios Estrangeiros e segundo vice-líder do Parlamento.

Mas também há caras novas neste combate político. Duas, para ser mais concreto. É o caso de Gabriel Fernando Indi, candidato apoiado pelo Partido Unido Social Democrata (PUSD). Frequentou o curso de Direito na Faculdade de Lisboa e está ligado ao futebol, nomeadamente na direção do Futebol Clube de Safim, sediado a 16 quilómetros de Bissau.

Estreante absoluto na arena política é o empresário Mutaro Intai Djabi. O engenheiro civil, formado em França, apresenta-se às eleições como independente e ocupa a primeira posição no boletim de voto.

Para além de Carlos Gomes Júnior e Mutaro Intai Djabi, o combate eleitoral vai contar com mais dois empresários. Idrissa Djaló, de 57 anos, concorre com o apoio do Partido da Unidade Nacional (PUN), formação política que fundou em 2001 e da qual é líder. Formou-se em economia em França e tem investimentos no setor turístico da Guiné-Bissau.

Outro empresário que vai a votos é Vicente Fernandes, líder do Partido para a Convergência Democrática (PCD). Esta é segunda vez que tenta chegar à Presidência, depois de o ter feito em 2012. É advogado formado em Portugal e, atualmente, detentor de uma empresa de filtração, tratamento e venda da água.

Registo para a ausência de uma candidatura feminina. Nancy Schwartz, 46 anos de idade, foi a única mulher que tentou entrar na corrida presidencial. Com um percurso profissional ligado sobretudo às causas sociais e formada em sociologia pela Universidade Lusófona, em Lisboa, Schwartz viu a sua candidatura rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ).

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