Guardião da Floresta. Líder indígena morto a tiro no Brasil

Um membro da tribo Guajajara foi morto e outro sofreu ferimentos graves na sexta-feira à noite durante uma emboscada que terá sido feita por madeireiros armados, na Amazónia brasileira.

O líder indígena Paulo Paulino Guajajara, um dos denominados Guardiões da Floresta, um grupo de indígenas dedicado a proteger a floresta amazónica da destruição ambiental, foi morto por um grupo de invasores das terras indígenas Arariboia, no estado do Maranhão. Outro líder da tribo Guajajara, Laércio Souza Silva, ficou ferido e um madeireiro está desaparecido.

Segundo a versão da tribo, "o confronto partiu de uma emboscada" no município de Bom Jesus das Selvas.

À Folha de São Paulo o indigenista Carlos Travassos, um conhecido de Laércio (também conhecido como Tainaky), conta o que ouviu do guardião da floresta: "Quando chegaram na região conhecida como Cascudo foram surpreendidos por não indígenas armados. Eles tentaram render os indígenas e acabou ocorrendo um tiroteio."

"Os guardiões Paulino e Laércio haviam afastado da aldeia para buscar água quando foram cercados por pelo menos cinco homens armados" que terão disparado contra os indígenas, lê-se numa mensagem da Secretaria divulgada na rede social Twitter.

Membros do programa de proteção dos defensores dos direitos humanos e equipas de segurança armadas foram enviadas para a região para averiguar o sucedido.

Segundo a organização não governamental Survival International, "pelo menos três guardiões já foram assassinados e muitos de seus parentes também foram mortos por madeireiros e grileiros [usurpadores que falsificam documentos para tomar posse de terras] que invadem seu território, a Terra Indígena Arariboia, que agora é a última área de floresta que resta na região".

A Survival International ouviu Laércio (Tainaky) queixar-se da política de terra queimada autorizada pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

Os autodenominados guardiões da tribo guajajara (uma das mais numerosas no Brasil) são cerca de 180 e agem contra acampamentos de madeireiros que se dedicam a queimadas e ao corte ilegal de árvores.

A jornalista Sónia Bridi, que fez uma reportagem para a Globo sobre os Guardiões da Floresta em julho, lembra que a tribo pede ajuda há meses. "A incapacidade do Estado de cumprir seu papel combatendo os criminosos levou a essa tragédia."

A associação ambiental Greenpeace repudiou o sucedido e pediu ao governo do Brasil que aja para evitar "mais conflitos e mais mortes" naquela região.

Além dos Guajajara, Arariboia tem uma tribo sem contacto, os Awá-guajá. Segundo a Folha de São Paulo, as invasões a este território intensificaram-se desde janeiro, o que levou à criação dos Guardiões da Floresta, num conflito assimétrico entre pequenos grupos de defesa e os invasores que querem tomar as terras.

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