"Guardei os segredos de Boris Johnson e agora sou posta de lado. Não me fala"

Com as eleições à porta, empresária norte-americana Jennifer Arcuri revela que o primeiro-ministro a trata como se fosse "o caso de uma noite". Tiveram um relacionamento de quatro anos e há suspeitas de favorecimento no tempo em que Boris presidia à Câmara de Londres.

A empresária norte-americana Jennifer Arcuri acusa Boris Johnson de agora a colocar "brutalmente" de lado "como se fosse um caso de uma noite" e deixá-la "de coração partido" desde que se tornou primeiro-ministro e a polémica sobre o relacionamento de quatro anos que mantiveram ser pública.

Numa entrevista ao canal ITV, a ser transmitida este domingo, menos de um mês das eleições antecipadas de 12 de dezembro, a empresária do setor da tecnologia e antiga modelo diz ao jornalista John Ware que Boris Johnson recusa-se a atender os seus telefonemas. Depois, dirigindo-se diretamente ao primeiro-ministro, que defendeu ativamente os interesses comerciais da americana durante o tempo em que esteve na Câmara de Londres, Arcuri diz: "Não fui nada além de leal, fiel, solidária e uma verdadeira confidente sua."

"Guardei os seus segredos e fui sua amiga. E não entendo: agora ignora-me como se eu fosse um caso fugaz de uma noite ou uma miúda que você engatou num bar. Estou terrivelmente de coração partido pela forma como me deixou de lado como se eu fosse um gremlin", afirmou Jennifer Arcuri, falando diretamente para o líder dos Conservadores.

Apesar se recusar a divulgar a natureza do relacionamento com Boris, a norte-americana deixa claro que foram muito próximos durante vários anos. No programa "When Boris Met Jennifer", a empresária diz que ficou evidente que o primeiro-ministro estava "preocupado" que o relacionamento fosse público por causa de todas as perguntas que seriam feitas.

Johnson estava preocupado, diz Arcuri, com a necessidade de declarar interesses que poderiam ser os mais prejudiciais para o agora primeiro-ministro. Ao tornar-se presidente da Câmara de Londres em 2008, Johnson teve que assinar um código de conduta em que era exigido que não usasse a posição para obter benefícios financeiros ou outros para si, a sua família ou até amigos. Depois de conhecer Arcuri em 2012, Johnson falou quatro vezes em eventos para promover os interesses comerciais da americana. O programa da ITV afirma que Arcuri e Johnson tiveram um caso que durou mais de quatro anos. Durante esse período, Johnson declarou vários interesses pessoais, como manda a lei, mas o nome de Arcuri não apareceu nunca.

Boris Johnson negou sempre qualquer irregularidade ou a quebra de qualquer regra. No entanto, foi solicitado ao Independent Office for Police Conduct (IOPC) que considerasse se Johnson deveria ser investigado por má conduta em cargo público devido à sua recusa em declarar o relacionamento com Arcuri. Entre as alegações que estão a ser investigadas pelo IOPC estão um pagamento de 126 mil libras em dinheiro público para os negócios de Arcuri e a presença da americana em três missões comerciais no exterior com Johnson, apesar de não integrar oficialmente a delegação.

No fim de semana passado, o The Observer revelou que um anúncio do IOPC sobre se deveria haver uma investigação criminal tinha sido adiado para depois da eleição geral, levando a alegações de que a decisão havia sido retida para evitar que Johnson fosse prejudicado durante a campanha.

Referindo-se aos últimos meses, Arcuri diz: "Caos absoluto, destruição e pura decepção em muitas frentes. Sou o dano colateral deixado para trás. Quero dizer, o primeiro-ministro não foi afetado - coloca a cabeça na areia e olha para o outro lado. Fui eu quem caiu e tenho agora que apanhar os bocados do meu nome, da minha integridade, do meu caráter e do meu negócio."

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