Grenfell Tower, o prédio de 127 apartamentos que se transformou na Torre do Inferno

Os moradores queixavam-se há muito das condições de segurança do prédio

"Não podíamos fazer nada e víamos partes do prédio a cair, a colapsar. Estávamos apenas lá, parados, a gritar. E eles [pessoas no prédio] a gritar também". É assim que uma testemunha, Amina Sharif, conta, em declarações à Reuters, o que se passou no incêndio na Grenfell Tower, que tornou o edifício londrino numa torre do inferno.

Enquanto uns gritavam por ajuda, outros tentavam atar lençóis para descer e salvarem-se. "Mas ninguém desceu", diz outra testemunha, Saimar Lleshi. Outros limitavam-se a gritar à janela e algumas pessoas tentaram apenas salvar os mais novos. Uma mulher atirou o bebé do "nono ou décimo" andar, com este a ser apanhado por um homem. Outra mulher salvou o filho de cinco anos da mesma forma, com um paraquedas improvisado.

Com 12 mortos confirmados e mais de 70 feridos provocados pelo incidente, até agora, o incêndio na Grenfell Tower, um prédio de rendas baixas gerido por uma entidade privada mas propriedade do estado, é um dos mais graves de sempre em Londres. O fumo podia ser visto a quilómetros de distância. Um número ainda não apurado de desaparecidos pode elevar o balanço de vítimas mortais.

A torre, no oeste de Londres, Kensington, data de 1974 e tinha originalmente 120 apartamentos, com sete a serem acrescentados posteriormente, distribuídos por 24 andares. Servia de casa para cerca de 600 pessoas. Muitas foram surpreendidas pelo fogo enquanto dormiam, já que este começou por volta da uma da manhã desta quarta-feira, mas, por outro lado, não apanhou os habitantes completamente de surpresa, visto que há muito se queixam das condições de segurança do edifício.

Uma remodelação em 2016, que custou quase 10 milhões de euros, não convenceu os moradores, que continuaram com as queixas. "Todos os nossos avisos foram para orelhas moucas e prevíamos que uma catástrofe como esta era inevitável e apenas uma questão de tempo", escreveu o Grenfell Action Group, um grupo de moradores, que foi criado em 2010.

Já do lado de quem gere o prédio, a entidade Kensington and Chelsea Tenant Management Organisation (KCTMO), em nome do "borough" local, mostra-se chocada com a tragédia e diz-se cooperante. "Vamos cooperar com as autoridades e serviços de emergência e dar apoio a qualquer inquérito sobre as causas do incêndio, no devido tempo", diz a empresa em comunicado.

Mais de 200 bombeiros, apoiados por 40 viaturas, lutaram durante horas para combater e controlar o fogo.

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