Governo espanhol alega razões de segurança para não enterrar Franco na catedral de Almudena

Dificuldades em manter a ordem pública é um dos aspetos que o Governo espanhol avança para negar a pretensão dos netos de Franco de ver os restos mortais do ditador serem colocados em La Almudena

Um documento de 12 páginas alerta o governo espanhol para o perigo de mudar os restos mortais de Francisco Franco para a cripta da Catedral de La Almudena, em Madrid. De acordo com o relatório, há dificuldades em manter a ordem pública no local, podem existir ameaças terroristas e confrontos entre apoiantes e contestatários do regime de Franco dentro da catedral, local onde a polícia não pode entrar por ser uma zona sagrada.

Este trabalho vai ser usado pelo executivo liderado por Pedro Sánchez para negar o pedido da família de Franco que apontou este local como hipótese para a colocação dos restos mortais depois da exumação do ditador do Vale dos Caídos, após a aprovação dessa transladação no passado mês de setembro no congresso espanhol.

Depois dessa decisão, os netos de Franco anunciaram que lhes cabe a decisão sobre o local onde os restos mortais do ditador que governou em Espanha de outubro de 1936 até junho de 1973 ficariam. E que esse local seria a Catedral de Almudena, em pleno centro de Madrid, onde está enterrada Carmen, a filha de Franco.

De acordo com o El País, o governo espanhol decidiu que em nenhuma circunstância os restos mortais de Franco seriam para ali levados, alegando que seria um precedente a nível europeu, pois nenhum ditador está enterrado numa catedral.

A vice-presidente do governo, Carmen Calvo, chegou mesmo a ir a Roma para discutir o assunto no Vaticano com Pietro Parolin, o braço direito do Papa Francisco. O executivo chegou a votar a reforma da Lei da Memória Histórica para impedir que os restos mortais fossem para La Almudena, mas o PP e os Ciudadanos bloquearam essa alteração. Em resposta, o governo optou por alegar a defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos como a integridade física e moral, liberdade religiosa e segurança para impedir a transladação.

No documento, não está previsto um local alternativo e o governo espanhol pretendia que fosse a família a propor outro sitio, porém caso isso não aconteça é muito provável que a nova hipótese seja o cemitério de Mingorrubio.

O relatório onde são enumeradas as questões que impedem a mudança dos restos mortais do Vale dos Caídos para La Almudena vai ser enviado para a família de Franco que terá dez dias para se pronunciar. Depois, o conselho de ministros decide qual a nova localização e o corpo de Franco será exumado.

Ficará assim concluído um processo que se iniciou em agosto com a aprovação no conselho de ministros - ratificada em setembro no congresso com a abstenção do PP e do Ciudadanos - de um decreto lei que deu cobertura à exumação dos restos mortais do Vale dos Caídos - o memorial e basílica que Franco mandou construir e onde estão enterrados milhares de combatentes na guerra civil espanhola.

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