François Hollande diz em Atenas que "ajudar a Grécia é ajudar a Europa"

Presidente francês defende ajuda ao governo helénico na questão dos refugiados.

O cenário da saída da Grécia da Zona Euro é algo que está completamente afastado, garantiu ontem François Hollande, falando em Atenas. Na sua primeira visita à capital grega desde 2013, o presidente francês recordou que foi o seu país, "com outros, a fazer compreender ao conjunto dos países do euro que era do interesse comum e dever de solidariedade manter a Grécia" no espaço da moeda única.

Hollande, que falava numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro Alexis Tsipras, afirmou que "ajudar a Grécia, é ajudar a Europa" - frase que repetiu por sete vezes nas suas respostas. Em causa está o terceiro programa de assistência financeira, mas também, e de forma urgente, a crise dos refugiados, com centenas de pessoas a chegarem diariamente a território grego.

A mais recente estimativa indica que, só este ano, já entraram na Grécia cerca de 500 mil refugiados, principalmente sírios, mas também naturais do Iraque, Eritreia e Afeganistão. Por isso, Atenas pediu à União Europeia (UE) 300 milhões de euros para a construção de centros de triagem de refugiados. Um pedido considerado "legítimo" pelo presidente francês, classificando-o como um "investimento, porque se não houver ajuda à Grécia, terá de ser feita mais despesa para acolher refugiados em muitos países". Como notou Hollande, seria "um paradoxo ajudar a Turquia e não mostrar para com a Grécia a solidariedade que resulta da sua presença" na UE.

Para o presidente da França, "a Grécia é a fronteira da Europa e, por isso, a Europa ajudará a Grécia". A Organização Internacional para as Migrações revelou ontem que, só desde o início da semana, 48 mil pessoas chegaram por via marítima à Grécia. O valor mais elevado até agora registado em termos de média semanais.

Neste ponto, o dirigente francês anunciou o envio de 60 agentes para reforçar o dispositivo na Grécia da agência de controlo das fronteiras externas da UE, a Frontex.

Hollande - que foi dos poucos dirigentes europeus a permanecer como aliado de Tsipras ao longo da crise negocial do verão entre Atenas e os credores internacionais - garantiu: "A França vai permanecer ao lado da Grécia". E recordou que "atravessámos uma etapa essencial a 13 de julho", quando foi assinado o terceiro resgate, existindo agora importantes etapas, como a "renegociação da dívida", não em termos do peso desta "enquanto tal, mas com as taxas de juros que devem ser alargadas no tempo e sem qualquer custo para os contribuintes europeus". A dívida pública grega corresponde atualmente a 200% do Produto Interno Bruto do país.

Por seu turno, o governante grego reconheceu ter sido Hollande "um daqueles que me convenceram a aceitar" o resgate de julho. Num outro momento, Tsipras declarou que, sabendo necessária a assistência financeira, não aceita contudo a imposição de medidas neoliberais radicais.

Ainda neste plano, decorre atualmente uma auditoria por parte das instituições europeias e do Fundo Monetário Internacional sobre as medidas já aplicadas por Atenas em troca dos 86 mil milhões de euros do terceiro resgate.

No capítulo das finanças públicas, foi assinado um acordo de parceria estratégica prevendo, nomeadamente, a assistência francesa no combate à evasão fiscal, uma das pragas da economia grega.

Conflito na Síria

A propósito da questão dos refugiados, Hollande evocou a guerra na Síria, que dura há mais de quatro anos e causou já 250 mil mortos e quatro milhões de refugiados, pondo particular ênfase no afastamento do poder do presidente sírio Bashar al-Assad. "É necessária uma solução política" para o conflito, admitiu o líder francês, mas Assad "é o problema, não a solução".

Hollande respondia assim a declarações feitas em Moscovo por Dmitri Peskov, o porta-voz do presidente Vladimir Putin, em que foi dito ser a figura de Assad central em qualquer processo de negociações, e que devia ser o presidente sírio a "diferenciar", isto é, a indicar quais seriam ou não os grupos da oposição síria admissíveis ao diálogo. Isto porque, argumentou Peskov, "está a revelar-se impossível diferenciar a oposição moderada dos vários grupos terroristas e organizações extremistas".

Após a visita inesperada a Moscovo do líder do regime de Damasco no início da semana, Putin disse na quinta-feira que a Rússia defende uma saída política para o conflito na Síria, sob supervisão internacional, mas integrando a figura de Assad. A Rússia insiste que o futuro deste só deve ser decidido pelo povo sírio em eleições, como insistiu ontem o MNE russo, Serguei Lavrov, no final de uma reunião sobre o conflito, que decorreu em Viena, com os seus homólogos dos EUA, Turquia e Arábia Saudita.

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