FOX News recusa ceder: debate no Iowa avança com ou sem Trump

Milionário recusou participar no debate desta noite, o último antes das primárias de segunda-feira no Iowa. Isto porque, diz, teme ser discriminado pela jornalista Megyn Kelly.

Questionado durante um debate por Megyn Kelly sobre os comentários sexistas que fez em relação às mulheres, Donald Trump escreveu depois no Twitter que a jornalista da FOX News tinha "sangue a sair-lhe dos olhos, a sair-lhe de todo o lado". Estávamos em agosto, mas, nos últimos meses, a relação entre a apresentadora e o magnata não melhorou. Pelo contrário. De tal forma que Trump veio agora dizer que recusa participar no debate desta noite no Iowa, o último antes de o estado lançar, na segunda-feira, o processo das primárias para as presidenciais de novembro nos EUA. Tudo porque, diz, teme ser tratado de forma discriminatória.

Foi de novo no Twitter que, ontem, Trump atacou Kelly. "Recuso chamar bimba a Megyn Kelly, porque isso não seria politicamente correto. Em vez disso vou apenas dizer que é uma repórter de pacotilha." Antes disso, a FOX News acusara o milionário que fez fortuna no imobiliário antes de se tornar estrela do reality show The Apprentice de querer "violar todos os padrões jornalísticos". E em comunicado garantiu: "Não podemos ceder a atos terroristas contra os nossos funcionários." A FOX explicou ter recebido um chamada de Corey Lewandowski, o gestor de campanha de Trump, na qual este terá afirmado que Kelly "teve uns dias difíceis depois do último debate", acrescentando que "odiaria que ela tivesse de voltar a passar pelo mesmo".

Para a estação de televisão, próxima dos setores mais conservadores, o debate deste noite em Des Moines é mesmo para avançar. Com ou sem Trump. O magnata, por seu lado, já anunciou que enquanto os adversários republicanos estiverem a debater, ele pretende estar num comício para recolher fundos para os veteranos de guerra.

As críticas dos adversários não se fizeram esperar. Ted Cruz - segundo nas sondagens tanto a nível nacional como no Iowa e New Hampshire (que vai a votos a 9 de fevereiro) - também recorreu ao Twitter para acusar Trump de estar com medo das perguntas de Megyn Kelly. Naquela rede social, o senador do Texas partilhou uma imagem do Tio Patinhas com a cara de Trump em cima de uns sacos de dinheiro e deixou a sugestão: "Desafio o verdadeiro Donald Trump para um debate a dois." Também o governador de New Jersey, Chris Christie, denunciou na Boston Herald Radio um "grande erro" de Trump. E o senador da Florida Marco Rubio (terceiro nas sondagens) aproveitou para atacar tanto Trump como Cruz, afirmando que "este género de teatro é um bom entretenimento lateral, mas não vão ajudar a derrotar Hillary Clinton [a favorita democrata]. Já Mike Huckabee, antigo governador do Arkansas, disse na própria FOX News que toda esta história é "muito drama" mas pouco interessa à maioria dos eleitores do Iowa.

Essa é a grande questão. Aparentemente Trump pode sair prejudicado por esta recusa em participar no último debate antes dos caucus (assembleias populares) do Iowa. Mas a verdade é que nenhuma das suas atitudes mais questionáveis - nem quando comparou os imigrantes mexicanos a "traficantes e criminosos" nem quando propôs proibir os muçulmanos de entrar nos Estados Unidos - se virou contra ele. "Talvez isto acabe por beneficiar o nova-iorquino. Está de novo em todas as notícias", escreve o analista da BBC para a América do Norte Anthony Zurcher.

Sem medo de debater

Ontem, Corey Lewandowski foi a vários canais de televisão garantir que Trump não tem medo de debater com os rivais, nem das perguntas dos jornalistas. O gestor de campanha do magnata sublinhou ainda que este está disposto a um frente a frente com Ted Cruz se a corrida à nomeação republicana - que neste momento conta ainda com 12 candidatos - ficar reduzida a dois. "Se se tornar uma corrida a dois, Donald Trump ficaria muito feliz por debater com ele", afirmou Lewandowski no programa Good Morning America, da ABC News. Quanto às consequências para o favorito republicano da sua recusa em ir ao debate em Des Moines, o gestor foi perentório: "Feitas as contas, no final será Donald Trump a rir melhor."

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