Forças sírias denunciam bombardeamentos turcos na fronteira

As Forças da Síria Democrática, uma aliança liderada por curdos, acusaram esta terça-feira a Turquia de bombardear uma posição sua numa cidade fronteiriça síria, sem causar vítimas, no primeiro ataque deste tipo desde que os EUA abandonaram a zona.

"Os militares turcos bombardearam um dos nossos postos na fronteira de Sari Kani (Ras al Ain) com a Turquia. Não houve feridos entre as nossas forças. Não respondemos a este ataque. Estamos preparados para defender o nosso povo e o povo do nordeste da Síria", indicou o Centro de Coordenação e Operações Militares das Forças da Síria Democrática (FSD) na sua conta na rede social Twitter.

Este é o primeiro bombardeamento que a Turquia faz no nordeste da Síria desde domingo passado, quando os Estados Unidos da América (EUA) retiraram as suas tropas da zona fronteiriça, perante a iminente operação de Ancara contra a região.

O Exército turco não confirmou, até ao momento, esta informação de bombardeamento.

A população de Ras al Ain está localizada na fronteira com a Turquia, numa faixa de fronteira que Ancara chama de "zona segura" e quer estabelecer no nordeste da Síria e da qual os Estados Unidos, um aliado das FSD, saíram por não se quererem envolver na operação militar.

A razão oficial para entrar no território sírio é a criação dessa "zona segura" que acolhe parte dos 3,5 milhões de sírios que vivem na Turquia e escaparam da guerra no seu país.

Esse território de maioria curda agora é controlado pelas Unidades de Proteção Popular (YPG), a espinha dorsal do FSD, que de facto estabeleceu uma administração local, algo que irrita profundamente Ancara, que os considera "terroristas" por terem ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), os guerrilheiros curdos ativos na Turquia.

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