Filho mais novo de Bolsonaro também quer entrar na política

Depois de muita especulação, Renan, 20 anos, revela desejo de concorrer a cargos públicos logo que termine curso de direito. Chamado de "04" pelo pai, faz sucesso nas redes sociais com opiniões conservadoras. Dois irmãos também foram notícia ontem.

Nem os escândalos sucessivos em torno do irmão mais velho, Flávio, abalaram a disposição de Jair Renan Bolsonaro de seguir as pisadas do pai na política. Desafiado a concorrer a cargos públicos desde há seis meses, quando abriu contas em seu nome nas redes sociais, o estudante de direito de 20 anos admitiu publicamente nas últimas horas e pela primeira vez entrar na política "para seguir a carreira linda do meu pai".

Renan é o quarto filho do presidente da República do Brasil que por isso o chama de 04, irmão do senador Flávio (01), do vereador do Rio de Janeiro Carlos (02), e do deputado federal Eduardo (03). Ao contrário deles, "mitinho" ou "bolsokid", como é conhecido pelos fãs nas redes sociais, não é fruto do primeiro casamento do pai, com Rogéria Nantes, e sim do segundo, com Ana Cristina Valle. Jair Bolsonaro tem ainda uma quinta filha, com a primeira-dama Michelle, chamada Laura, de sete anos. E que ficou conhecida depois do pai dizer em palestra que teve "quatro filhos homens e só à quinta dei uma fraquejada e saiu menina".

Com 1,91 metros (mais seis centímetros do que o pai), voz rouca e timidez natural, Renan é descrito pela mãe como "um apaixonado por bichos". Na sua casa em Resende, no estado do Rio, cria oito galinhas, que nomeia alfabeticamente, de galinha A a galinha H, um galo e seis aquários. A mãe, em conversa com o jornal ​​​​​​Folha de S. Paulo ainda antes das eleições, já antevia o futuro do filho: "Política? 'Tá no sangue dele".

Ela, que concorreu nas eleições sob o nome Cristina Bolsonaro mas não se elegeu, acabaria por ser citada na campanha por no processo de divórcio ter feito acusações graves a Jair. No entanto, considerou-as ultrapassadas e produto da tradicional raiva após uma separação.

O "bolsokid", que já é filiado desde 2016 ao PSC, o ex-partido de Bolsonaro pai, espera agora tornar-se advogado e completar 21 anos, idade mínima para concorrer à maioria dos cargos elegíveis no Brasil, para se aventurar. Entretanto, já vai dando um ar da sua graça nas redes sociais: "Salve 31 de março de 1964, o Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", publicou, aludindo à data do golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil por 21 anos. Noutra ocasião, mostrou o seu apoio ao decreto que flexibiliza o porte de arma escrevendo que "o cidadão armado é a primeira linha de defesa de um país".

Nos primeiros dias enquanto presidente eleito mas ainda não empossado, em novembro, Jair Bolsonaro levou Renan para participar em atos públicos, como um almoço com o comando da aeronáutica e uma receção a Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao lado dos irmãos.

Tanto 01, como 02 e 03 aparentam ter ótima relação com o "caçula", como são conhecidos os filhos mais novos no Brasil. Porém, mensagem de telemóvel trocada entre Jair e Eduardo, quando ambos eram deputados federais, e divulgada posteriormente, revelava tensão. O pai estava zangado com o filho 03 porque este faltara à eleição na Câmara dos Deputados e escreveu: "Papel de filho da puta que você está fazendo comigo. Tens moral para falar do Renan? Irresponsável". Ao que Eduardo respondeu: "quer me dar esporro [equivalente a raspanete], tudo bem, o vacilo foi meu, pensei que a eleição fosse só na semana que vem mas me comparar com a merda do seu filho, calma lá".

FLÁVIO NA MIRA

O mais velho dos filhos do presidente, o recém-eleito senador Flávio, foi entretanto notícia mais uma vez, já depois de um caso de suposta corrupção com um seu assessor e das investigações sobre a execução de Marielle Franco terem chegado ao seu gabinete. Entre 2000 e 2002, então com 19 anos, acumulou três ocupações em duas cidades diferentes: faculdade presencial diária de direito e estágio voluntário duas vezes por semana, no Rio de Janeiro, e um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Ocupadas ao mesmo tempo por quase um ano, todas essas atividades exigiam a presença física do primogénito de Jair Bolsonaro, segundo as instituições ouvidas pela BBC News Brasil.

A faculdade e o estágio integram o histórico de Flávio tanto na rede linkedIn quanto no site da Assembleia Legislativa do Rio. Não há referência, no entanto, ao cargo parlamentar nos seus dois currículos disponíveis na internet.

A ocupação na Câmara consta, entretanto, na declaração de IRS dele de 2001 entregue à Justiça Eleitoral, no portal de transparência da Casa e no Diário Oficial da União.

Procuradas pela BBC News, as assessorias de imprensa do 01 e do presidente não responderam até a publicação da reportagem.

Nas últimas horas, em duas entrevistas, Bolsonaro deu opiniões distintas sobre os casos em torno do filho. À agência Bloomberg disse que "se ele cometeu erros, terá de pagar", mas em conversa com a TV Record, realizada instantes depois de ter faltado a uma conferência de imprensa com órgãos internacionais alegando cansaço, afirmou que a pressão sobre o filho visa atingi-lo a ele.

CARLOS ZANGADO

"Mentirosos, sujos e baixos, esse tipo de jornalismo é a escória, tentarão de tudo para nos denegrir, já viram quem será o próximo da família a tentarem atingir com as suas desinformações descaradas", reagiu, via twitter, Carlos Bolsonaro, o 02, após a publicação de uma reportagem cor-de-rosa no jornal Extra sobre uma relação sentimental secreta. "O romance está ficando um pouco mais sério", diz o jornal, que pertence ao Grupo Globo, com quem o clã Bolsonaro está em guerra aberta.

Ainda segundo a notícia, a suposta namorada de Carlos, chamada Paula Bramont, futura nutricionista, de 33 anos, passou o réveillon em Brasília com o vereador do Rio e amigos e, no dia seguinte, foi à receção do novo presidente no Palácio da Alvorada.

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