Filho de Kofi Annan e irmã gémea de Joseph Kabila nos Papéis do Panamá

Continente africano perde mais dinheiro em transferências ilícitas do que recebe em ajuda externa, diz ONU

O caso das "offshores" do Panamá utilizadas para transações ilícitas de dinheiro atinge todos os continentes e África não é exceção. Nos documentos revelados, surgem nomes como o filho de Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, ou a irmã gémea de Joseph Kabila, presidente do Congo.

De acordo com o Consórcio de Jornalistas de Investigação que analisa há um mês os chamados Papéis do Panamá, Kojo Annan utilizou uma companhia registada em Niue, uma ilha do Pacífico, para comprar um apartamento em Londres no valor de meio milhão de dólares (438,5 mil euros). O filho de Kofi Annan era ainda sócio e diretor de duas empresas sediadas nas Ilhas Virgens Britânicas.

Os seus advogados, citados pelo site de informação Quartz, garantem que todas as suas atividades foram legais, uma vez que "os impostos foram pagos nas jurisdições que eram devidas"

Quanto a Jaynet Désirée Kabila Kyungu, que além de ser irmã do chefe de Estado congolês é deputada e proprietária da Digital Congo, conglomerado de media no país, surge nos documentos como co-diretora da Keratsu Holding Limited, empresa cuja sede foi transferida para Niue poucos meses depois de Kabila ter chegado à presidência do Congo.

Ainda no continente africano, surgem também ligações às offshores da presidente adjunta do Supremo Tribunal do Quénia, Kalpana Rawal (que terá utilizado 11 empresas para comprar propriedades em Londres); Emmanuel Ndahiro, médico e amigo do presidente do Ruanda, Paul Kagame (segundo os documentos, foi diretor de uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas que era propriedade de um milionário ruandês); John Addo Kufuor, filho do antigo presidente do Gana John Agyekum Kufuor (com contas bancárias em que a sua mãe também era titular).

O Egito não escapa aos Papéis: Alaa Mubarak, filho do presidente deposto Hosni Mubarak, era presidente da empresa Pan World Investments, sediada nas Ilhas Virgens.

Estes casos agora conhecidos são ilustradores das estimativas da Comissão Económica para África das Nações Unidas (UNECA) que afirma que todos os anos o continente africano perde entre 30 e 60 mil milhões de dólares (26 e 52 mil milhões de euros) em transferências ilícitas de dinheiro.

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