Farage: "Vi a verdadeira face da UE quando impôs a constituição no Tratado de Lisboa"

Nas últimas horas em Bruxelas, o líder dos eurocéticos britânicos fez uma conferência de imprensa chamada Brexodus na qual garante que vai continuar a lutar contra esta União Europeia.

"Quando entrei éramos três, agora somos 29 [eurodeputados]. Há batalhas a enfrentar, como as pescas, o alinhamento regulatório ou o Tribunal de Justiça da UE, mas o que interessa é que vamos sair da UE e que passámos o ponto de não retorno", disse Nigel Farage na última conferência de imprensa no Parlamento Europeu, horas antes da votação em plenário, do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia.

"O que isto significa para nós é que é tão ou mais importante do que quando Henrique VIII cortou com Roma", comentou, visivelmente radiante.

O eurocético e populista vincou que há que "celebrar a vitória de uma campanha popular" e democrática. "O que isto demonstra é que a democracia e a vontade do povo funcionam."

O encontro com os jornalistas foi transformado em acontecimento e mereceu, tão ao jeito britânico, o nome de Brexodus. À hora certa, Farage entrou pela última vez na sala Anna Politkvoskaya, que se encontrava repleta não só com profissionais da comunicação, mas também com outros deputados do Partido do Brexit. A sua chegada, à hora certa, foi marcada por aplausos e manifestações mais próprios de comícios, o que levou o assessor de imprensa de Farage a pôr água na fervura e a exortar as pessoas presentes a manterem a civilidade.

Apesar de ser um dia para celebrar o dito Brexodus, Farage afirmou que vai ter saudades do "dramatismo e da pantomina" nos debates, pelo que prometeu tentar ser o autor do melhor no discurso da tarde, aquando do debate que precede a votação.

Farage, o homem que foi eleito pela primeira vez ao Parlamento Europeu pelo UKIP em 1999, admitiu que entrou "sem fazer ideia" do que iria fazer em concreto, mas passadas duas décadas sente-se um homem realizado. "Muitas pessoas entram na política e nao conseguem alcançar os seus objetivos. Eu já consegui."

Abominar a UE

Questionado sobre a Europa, Farage faz questão de separar as águas. "Nós adoramos a Europa, mas abominamos a UE." Depois explicou o porquê: "Em 2005, a Constituição europeia foi concluída. Eu tive um papel nos referendos perdidos em França e nos Países Baixos. Parámos a marcha pela centralização e só então é que Bruxelas começou a ouvir-nos." No entanto, e depois de ter "enviado um folheto para todas as casas na Irlanda" o referendo que deveria ter acontecido em 2005 ou 2006 foi cancelado. "Desde então concluí que as instituições europeias não só são não democráticas como antidemocráticas", afirmou.

"Vi a verdadeira face da UE em 2005, quando as instituições ignoraram a vontade das pessoas e reimpuseram a constituição no Tratado de Lisboa. E agora com as ambições expansionistas e militares, com um poder que não pode ser escrutinado. Estou contra a UE nestes termos, com uma Comissão que quer pôr o projeto político à frente do bem-estar das pessoas. Não acredito que isto seja a Europa", concluiu.

Sobre o seu futuro, o inglês disse que vai continuar a dar conferências, a fazer comentário e que irá também envolver-se na campanha eleitoral norte-americana, tal como já o fizera antes. "Dantes ia uma vez por mês a Estrasburgo. Agora irei para a Costa Atlântica." Porque, como voltou a afirmar, há uma batalha a travar entre globalistas e nacionalistas, seja na Europa, seja nos EUA.

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