Farage e Wilders: dois populistas europeus na convenção de Trump

Eurodeputado britânico e deputado holandês convidados para reunião de Cleveland que ontem devia confirmar o magnata como candidato republicano às presidenciais de novembro

Populistas, eurocéticos e desbocados. O deputado holandês Geert Wilders e o eurodeputado britânico Nigel Farage têm tudo para se dar bem como o americano Donald Trump. Talvez por isso sejam dois dos convidados de maior relevo internacional na convenção que esta madrugada (ontem ao fim da noite nos EUA) devia confirmar o milionário como o candidato republicano às presidenciais americanas de 8 de novembro.

Rosto do brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, Farage deixou entretanto a liderança do UKIP mas, em declarações ao site Politico Europe, o ainda eurodeputado explicou a sua presença no Ohio com o interesse dos republicanos em saber estudar o resultado do referendo britânico de 23 de junho. "Há muitos estrategas republicanos interessados em perceber mais de perto o que fizemos e como o fizemos", sublinhou.

Apesar dos encontros que sem dúvida manterão à margem da convenção, nem Farage nem Wilders - cujo Partido para Liberdade é conhecido pelos ataques contra os muçulmanos e o islão - fazem parte dos oradores. Como a revista Salon referia ontem, é "pouco comum ter políticos estrangeiros com o destaque de Farage ou Wilders nas convenções. Mas no ano de Trump nada nos deve surpreender". E a presença destes nacionalistas, populistas e islamofóbicos revela bem "quão à direita o Partido Republicano virou", sublinhava ainda a mesma publicação.

No caso de Wilders, este é um regresso aos EUA, depois de no ano passado ter sido notícia quando discursava no Texas num encontro anti-islão, que lançava uma exposição de cartoons de Maomé. Na altura a polícia abateu dois homens armados que tentaram entrar no edifício onde decorria a conferência, tendo-se envolvido num tiroteio com os agentes. Os atacantes teriam ligações ao Estado Islâmico.

Durante a campanha, Trump tem repetido ideias racistas e islamofóbicas, como quando propôs banir a entrada de todos os muçulmanos nos EUA, depois de um casal de muçulmanos ter feito 14 mortos e 22 feridos em San Bernardino em dezembro de 2015. O candidato republicano também prometeu construir um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes ilegais que apelidou de "violadores e traficantes".


Família e líderes republicanos
Se o primeiro dia da convenção (que termina amanhã) ficou marcado pelo discurso de Melania Trump e as consequentes acusações de plágio (ver texto ao lado), o segundo dia devia ver subir ao palco outros membros da família do candidato: os filhos Eric, Donald Jr. Tiffany. Depois da votação em que os delegados - ao todo 2472 - deverão confirmar Trump como nomeado do partido, a noite será marcada pelas intervenções de algumas figuras de peso do partido. De Paul Ryan, o presidente da Câmara dos Representantes que foi um dos mais relutantes em declarar o seu apoio a Trump, até Chris Christie, o governador de New Jersey que começou por ser um dos mais ferozes rivais do milionário na corrida à nomeação, apenas para se tornar num dos seus maiores apoios com esperança de conseguir o lugar de vice-presidente, que viria a perder para o governador do Indiana, Mike Pence.

Para hoje fica reservada a intervenção do próprio Pence antes de Trump encerrar a convenção amanhã. Mas um dos momentos mais aguardados neste terceiro dia será o discurso de Ted Cruz. O senador do Texas, que desde que suspendeu a corrida à nomeação republicana recusou sempre declarar o apoio a Trump, parece decidido a liderar uma rebelião de delegados que não aceitam o milionário como candidato à Casa Branca. A hipótese de lhe conseguirem tirar a nomeação é quase nula, mas Cruz pode acabar por deixar a convenção com algumas centenas de descontentes, sublinhando ainda mais as divisões dentro do Partido Republicano.

No exterior da convenção, a tensão entre grupos pró-Trump e os anti-Trump. Com as leis do Ohio a permitirem a uso de armas na baixa de Cleveland, a polícia teme incidentes violentos, tendo destacado dois mil efetivos para garantir a segurança da convenção.

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