Família de milionários alemães admite passado nazi e doa dez milhões

Depois de saber das ligações dos familiares ao nazismo, a família Reimannf, dona da JAB Holdiong, que detém entre outras coisas dos produtos anticalcário Calgon e da cadeia Prêt à Manger, vem agora dizer estar disposta a doar dez milhões de euros para ajudar organizações necessitadas.

Mais de 70 anos após o fim da II Guerra Mundial, o porta-voz da família Reimann, Peter Harf, disse à revista Bild am Sonntag que os donos da JAB Holding, que detém entre muitas outras coisas a cadeia de alimentação Prêt à Manger e dos produtos anticalcário Calgon se preparam para doar dez milhões de euros a instituições de caridade depois de saber que os seus antepassados apoiaram o regime nazi e que, durante a guerra, obrigaram prisioneiros a trabalhos forçados.

Albert Reimann morreu em 1954 e o filho, Albert Reimann Júnior, em 1984. "Reimann sénior e Reimann Júnior são culpados", disse Peter Harf, contando à revista que a família decidiu começar a investigar o seu passado nos anos 2000. Em 2014, contrataram um historiador para realizar um estudo aprofundado sobre as possíveis ligações ao nazismo, e quando receberam o relatório final perceberam que estas se confirmavam.

A família está mesmo a pensar tornar público o relato completo do seu passado, na altura em que o livro encomendado ao historiador Paul Erker, da Universidade de Munique, estiver concluída.

Citando cartas e documentos de arquivo, o Bild am Sonntag conta que Albert Reimann era já doador e apoiante de Adolf Hitler desde 1931. E, dez anos depois, a empresa que geria foi considerada "crucial" para a guerra, pois produzia peças que se destinavam à indústria de armamento.

Em 1943, a empresa usava o maior número possível de prisioneiros como trabalhadores, sendo estes obrigados a trabalhos forçados. Peter Harf admite não ter havido qualquer esforço "para se compensar os trabalhadores." Por isso, garante, a família está hoje disposta a doar milhões para apoiar quem precisa. "Já falámos sobre o que podemos fazer. Queremos ser capazes de oferecer uma quantia adequada a uma organização que necessite", sublinhou ao jornal alemão.

A família Reimann é a segunda mais rica da Alemanha, com uma fortuna estimada em 33 mil milhões de euros.

A JAB-Holding não foi a única empresa alemã a querer conhecer o seu passado durante a guerra, a Volkswagen também o fez, tendo vindo a saber que recorreu a prisioneiros de guerra para trabalhar nas suas fábricas nessa época. Foi Hitler que lançou a primeira pedra da primeira fábrica da Volkswagen em Wolfsburg, no norte da Alemanha, em 1938.

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