Facebook anuncia proibição de mensagens de ódio e moderação de publicações políticas

A rede social Facebook anunciou esta sexta-feira que vai proibir as mensagens de ódio nos anúncios e sinalizar as publicações de políticos que violem as regras da rede social, numa mudança de posição relativamente à moderação de conteúdos 'online'.

A plataforma irá agora remover anúncios que afirmem que pessoas de certas origens, etnias, nacionalidades, sexo ou orientação sexual representam uma ameaça à segurança ou saúde de outros, anunciou o diretor da empresa, Mark Zuckerberg, num discurso divulgado através do seu perfil do Facebook.

Há várias semanas que o Facebook enfrenta uma pressão crescente da sociedade civil, bem como de alguns dos seus empregados, utilizadores e clientes, para melhor regular os conteúdos que incitam ao ódio.

Mark Zuckerberg adiantou que serão assinaladas todas as mensagens de políticos que quebrem as regras da rede social, incluindo as do Presidente norte-americano, Donald Trump.

O diretor da empresa tinha-se recusado anteriormente a tomar medidas relativamente a mensagens de Trump que sugeriam falsamente que os votos por correspondência levariam à fraude eleitoral nos Estados Unidos.

O Twitter, pelo contrário, colocou, nas mesmas mensagens, o rótulo "verifique os factos".

Banidas serão também as falsas alegações destinadas a desencorajar o voto, tais como histórias sobre agentes federais que verificam o estatuto legal dos cidadãos em locais de votação.

A empresa assegurou, por outro lado, estar a aumentar a sua capacidade de aplicação da lei para remover falsas informações sobre as condições dos locais de votação nas 72 horas anteriores às eleições presidenciais de novembro nos EUA.

As ações do Facebook e do Twitter caíram esta sexta-feira drasticamente depois de a Unilever, empresa de marcas como Ben & Jerry's Ice Cream e Dove, ter dito que irá suspender a publicidade no Facebook, Twitter e Instagram pelo menos até ao final do ano.

O fabricante europeu de produtos de consumo disse que a decisão visa protestar contra a quantidade de discurso de ódio 'online'.

A Unilever defende que a atmosfera polarizada que se vive nos Estados Unidos, antes das eleições presidenciais de novembro, colocou a responsabilidade de agir sobre as marcas.

"Decidimos que a partir de agora, pelo menos até ao final do ano, não iremos gerir publicidade das nossas marcas em plataformas de notícias das redes sociais Facebook, Instagram e Twitter nos EUA", disse a Unilever.

"Continuar a anunciar nestas plataformas nesta altura não acrescentaria valor às pessoas e à sociedade', acrescentou a empresa.

As ações tanto do Facebook como do Twitter caíram cerca de 7% na sequência do anúncio da Unilever.

A empresa, que tem sede nos Países Baixos e Reino Unido, junta-se a um conjunto de outros anunciantes que se retiram das plataformas 'online'.

O Facebook, em particular, tem sido alvo de um movimento crescente de suspensão de publicidade para pressionar a empresa a fazer mais para evitar que conteúdos racistas e violentos sejam partilhados na sua plataforma.

Em reação à decisão da Unilever, Sarah Personette, vice-presidente de soluções globais para clientes no Twitter, disse que a "missão da empresa é garantir o debate público e assegurar que o Twitter é um lugar onde as pessoas podem fazer ligações humanas, procurar e receber informação autêntica e credível, e expressar-se livremente e em segurança".

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