Facebook anuncia plano para proteger eleições dos EUA da desinformação

A gigante tecnológica pretende "proteger o processo democrático" das eleições presidenciais dos EUA, em 2020, ao lutar contra as informações falsas e ameaças de novas interferências estrangeiras

A empresa tecnológica Facebook anunciou esta sexta-feira um plano para "proteger o processo democrático" das próximas eleições presidenciais norte-americanas, nomeadamente da desinformação e de interferências estrangeiras.

A gestora de uma das maiores redes sociais do mundo prevê proteger melhor as contas dos candidatos e dos políticos e indicar de forma clara quem controla as páginas políticas ou as páginas de 'media' estatais.

Os artigos ou vídeos considerados como "falsas informações" por jornalistas independentes serão assinalados como tal.

O Facebook, muito criticado por não ter antecipado as manipulações e a alegada interferência russa nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016, pretende agora com este plano lutar contra as informações falsas, ameaças de novas interferências estrangeiras nas eleições presidenciais norte-americanas em 2020 e proteger as contas dos candidatos e dos políticos eleitos.

A empresa está a intensificar os esforços para recuperar a confiança do público e das autoridades, depois de no ano passado ter estado envolta em polémica com a empresa Cambridge Analytica, acusada de ter recuperado dados de milhões de utilizadores da rede social, sem consentimento, para elaborar um programa informático destinado a influenciar o voto dos eleitores, favorecendo a campanha do Presidente norte-americano, Donald Trump.

A 5 de setembro, os números de telefone ligados a mais de 400 milhões de contas do Facebook, que tinham sido armazenados de forma irregular foram expostos 'online', na mais recente violação da proteção de dados do grupo norte-americano, indicou o site TechCrunch.

Em julho, o regulador norte-americano impôs uma multa recorde de cinco mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros) ao Facebook por "ter enganado" os utilizadores da rede social sobre a capacidade de controlar a confidencialidade dos dados pessoais.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...