Extrema-direita espera ganhar eleições em 2017 e criar uma nova Europa

Na cidade de Koblenz, Marine Le Pen reuniu-se em cimeira com os seus parceiros populistas de outros países da UE

Pediu aos europeus para que "acordem" depois dos toques a despertar que foram o brexit e a vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas. "O mundo anglo-saxónico acordou em 2016. Este será, tenho a certeza, o ano do despertar dos povos da Europa continental", sublinhou ontem Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional francesa, na cidade alemã de Koblenz, onde estiveram reunidos numa "contracimeira europeia" os partidos de extrema-direita que formam no Parlamento Europeu o grupo Europa das Nações e da Liberdade (ENF, na sigla em inglês).

Além da eurodeputada francesa, estiveram presentes Frauke Petry, líder do Alternativa para a Alemanha (AfD); o holandês Geert Wilders, do Partido para a Liberdade, o italiano Matteo Salvini, da Liga do Norte, e o austríaco Harald Vilimsky. "Agora é preciso passar à próxima etapa, a etapa em que não nos vamos contentar mais em ser uma minoria nos parlamentos, a etapa em que passaremos a ser maioritários nas urnas em cada eleição", acrescentou Le Pen, presidente do ENF.

O ano 2017 será de eleições legislativas na Holanda (15 de março) e na Alemanha (24 de setembro) e de presidenciais e legislativas em França (primeira volta a 23 de abril e segunda a 7 de maio; as segundas em junho). Os barómetros políticos dão às várias direitas populistas e radicais razões para sorrir. Wilders, com um discurso profundamente anti-Islão, lidera todas as sondagens publicadas desde novembro, Marine Le Pen está bem colocada para garantir um lugar na segunda volta das presidenciais e a AfD deverá conseguir entre 10% e 15%, assegurando presença no Bundestag.

"Ontem, uma nova América, hoje Koblenz e amanhã uma nova Europa. Estamos a viver a alvorada de uma primavera patriótica. O génio não voltará a esconder-se dentro da garrafa", declarou ontem Wilders durante a cimeira. "Queremos uma Europa de pátrias livres", acrescentou Petry. A líder da AfD denunciou ainda aquilo que considera "a invasão do continente por milhões" de migrantes. Se Bruxelas "continuar a fuga em frente, recusando a restituir aos povos a sua soberania", Marine Le Pen reiterou a intenção de, caso vença as presidenciais francesas, avançar para um referendo sobre a permanência do país na UE.

Em Koblenz, no exterior do recinto onde decorreu a cimeira, juntaram-se, de acordo com a AFP, cerca de cinco mil manifestantes em protesto contra a reunião. Alguns dos cartazes, ilustrados com imagens de Hitler e de Mussolini, alertavam para aquilo que é entendido como um perigoso recuo ao tempo da retórica nazi e ao fascismo.

Entre os manifestantes encontrava-se, conta a agência de notícias francesa, o ministro luxemburguês dos Negócios Estrangeiros, Jean Asselborn. Quem também fez questão de marcar presença para mostrar o seu desagrado foi, segundo a Reuters, o vice-chanceler alemão e líder dos sociais-democratas do SPD, Sigmar Gabriel. Naquela que foi uma manifestação pacífica, entre as palavras de ordem, os manifestantes entoaram a Ode à Alegria, de Beethoven, adotado como hino da União Europeia. "Adeus Angela, boa sorte Frauke", ia dizendo lá dentro Matteo Salvini.

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