Ex-presidente costa-marfinense acusa Ouattara de tomar poder "pela força"

Laurent Gbagbo afirmou no Tribunal Penal Internacional que o atual presidente da Costa do Marfim tomou o poder de modo ilegítimo e com o apoio da França

A defesa de Laurent Gbagbo afirmou hoje, no terceiro dia do julgamento do ex-Presidente costa-marfinense no Tribunal Penal Internacional (TPI), que o seu rival, o Presidente Alassane Ouattara, se apossou do poder "pela força" com a ajuda da França.

O advogado Emmanuel Altit recordou que o seu cliente foi detido em abril de 2011 após bombardeamentos franceses, sustentando que "a França não queria uma paz negociada" entre os dois rivais às presidenciais do final de 2010.

Na audiência em Haia, onde está sediado o TPI, Altit acusou Paris, a antiga potência colonial, de ter preparado "secretamente" a ofensiva que levou à queda do ex-presidente, nomeadamente fornecendo armas às forças pró-Ouattara, apesar da existência de um embargo decretado pela ONU.

Gbagbo é o primeiro ex-chefe de Estado a ser julgado pelo TPI, que entrou em funções em 2003. O julgamento por crimes contra a humanidade deve durar entre três e quatro anos.

O ex-presidente, de 70 anos, e Charles Blé Goudé, o ex-chefe de uma milícia, de 44, estão a ser processados pelo seu papel na crise que resultou da recusa de Gbagbo de ceder o poder a Alassane Ouattara, reconhecido vencedor pela comunidade internacional das presidenciais de 2010. As violências causaram mais de 3.000 mortos em cinco meses.

Gbagbo e Blé Goudé, negaram as acusações de planeamento de organização de "um plano comum" que levou a assassínios "generalizados", violações, perseguições e outros "atos desumanos" no início do julgamento.

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