Exploração de trabalhadores deficientes no Palácio Real causa escândalo em Espanha

Trabalhavam como vigilantes no Palácio Real de Madrid, subcontratados. Obrigavam-nos a trabalhar 11 horas diárias e pagavam quase metade do salário mínimo. Uma denúncia à Inspeção do Trabalho e uma reportagem do El País expuseram os abusos. Estado diz que cancelará contrato "caso se provem" os factos denunciados.

Uma empresa ganhou o concurso de fornecimento de pessoal ao Património Nacional de Espanha e contratou outra empresa que contratou deficientes para vigiar as salas Palácio Real de Madrid. Até aqui tudo bem. O problema surge quando os contratados são forçados a trabalhar 11 horas por dia -- facto comprovado por uma reportagem do El País -- e ao fim do mês descobrem que a remuneração que lhes tinham proposto se transformou em 545 euros (o salário mínimo em Espanha é de 1050), lhes apresentam então um contrato para assinar e a seguir os despedem.

Foi o que aconteceu com Susana, nome fictício de uma mulher de 51 anos que contou a sua história ao diário espanhol. Susana sofreu um acidente vascular cerebral aos 23 anos e ficou com sérias limitações, incluindo mobilidade reduzida. A 1 de julho, foi contratada pelo centro especial de emprego Integra, que trabalha com pessoas com deficiência, para vigiar as salas do Palácio Real. "A alegria que senti quando soube que ia trabalhar no palácio real ninguém consegue calcular."

Mas após um mês e meio "infernal", foi despedida. Tinham-lhe dito que ia ganhar "à volta de 800 euros" mas quando recebeu a remuneração de julho ficou com os olhos em bico: 545 euros "por quase 200 horas de trabalho".

A Integra foi subcontratada pela empresa Clece, que por sua vez pertence a outra empresa, a ACS, tal como a Integra. A Clece ganhou um concurso aberto pelo Património de Espanha para serviços de segurança; como eram precisos também vigilantes de sala, a Clece subcontratou a Integra. São 61 os trabalhadores desta última que trabalham no Palácio Real; tem também trabalhadores no ministério da Defesa, na Universidade Rey Juan Carlos, no IKEA, nos museus Naval e do Exército e no Alcázar de Toledo.

Na sexta-feira, foi apresentada à Inspeção Geral de Trabalho, em nome de 16 trabalhadores da Integra, uma queixa pelas condições laborais a que são submetidos. O Património Nacional anunciou de imediato que se os factos da denúncia se comprovarem avançará para a dissolução do contrato.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG