Ex-presidentes Bush pai e filho juntam-se à lista de republicanos que condenam Trump

Presidentes republicanos criticaram a "intolerância racial" e Trump sem mencionar o nome do atual presidente

Os antigos presidentes dos Estados Unidos, George Bush e George W. Bush, divulgaram esta quarta-feira um comunicado conjunto em que condenam a "intolerância racial, o antissemitismo e o ódio", uma mensagem indireta para o também republicano Donald Trump.

O atual presidente está a ser fortemente criticado por ter atribuído as culpas dos incidentes em Charlottesville "aos dois lados" - dos que organizaram a marcha da extrema-direita e Ku Klux Klan e dos que foram até à cidade para protestar contra ela.

"A América deve rejeitar sempre a intolerância racial, o antissemitismo e o ódio em todas as formas", dizia o comunicado assinado pelos dois antigos presidentes, segundo a CNN, que incluiu uma referência a Thomas Jefferson. "Enquanto rezamos por Charlottesville, lembramos as verdades fundamentais gravadas pelo cidadão mais proeminente daquela cidade na Declaração da Independência: todos somos criados iguais e dotados de direitos inalienáveis pelo nosso Criador".

"Nós sabemos que estas verdades são eternas, porque somos as testemunhas da decência e da grandeza do nosso país", concluíram

Foram poucas as vezes em que George H.W. Bush pai e George W. Bush filho se manifestaram em conjunto. O primeiro foi presidente entre 1989 e 1993 e o segundo, o filho, entre 2001 e 2009.

Apesar de não mencionarem o nome de Donald Trump, o comunicado tem sido interpretado como uma crítica as declarações recentes do presidente.

Os Bush juntam-se assim à lista de republicanos que condenam publicamente Trump por não criticar a extrema-direita e os neonazi, pelos incidentes que resultaram na morte de três pessoas em Charlottesville.

"Não há equivalência moral entre racistas e americanos que lutam contra o ódio e a intolerância. O presidente dos Estados Unidos devia dizê-lo", escreveu o senador John McCain no Twitter.

O senador Marco Rubio disse que os organizadores da marcha da extrema-direita são 100% culpados e acusou-os de defenderem uma "ideologia maléfica". "Senhor presidente, não pode permitir que os supremacistas brancos fiquem com apenas 50% da culpa", continuou o senador no Twitter.

"Temos de ser claros. A supremacia branca é repulsiva. Esta intolerância é contra tudo o que o país representa. Não pode haver ambiguidade moral", escreveu o presidente da Câmara dos Representantes Paul Ryan.

"Não, não é o mesmo. Um lado é racista, intolerante, Nazi. O outro é contra o racismo e intolerância. Universos moralmente diferentes", disse ex-candidato presidencial republicano Mitt Romney.

Entre as reações aos incidentes em Charlottesville que mais chamaram à atenção está a de Barack Obama, que fez uma publicação que quebrou um recorde no Twitter por receber mais de 3 milhões de gostos.

Os dois outros presidentes norte-americanos vivos, Jimmy Carter e Bill Clinton, não reagiram até ao momento.

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