Ex-dirigente da ETA admite que tentou trazer armas para Portugal

O ex-dirigente da ETA já foi condenado a duas penas de prisão perpétua em França, a última delas pela morte, em março de 2010, de um polícia francês, considerado a última vítima da organização terrorista basca.

O ex-chefe militar da ETA Mikel Kabikoitz Carrera Sarobe reconheceu esta segunda-feira em tribunal que coordenou a transferência em 2010, numa furgoneta, de armas e explosivos da França para a base da organização terrorista basca em Óbidos, Portugal.

A viatura acabou por ser intercetada pela Guarda Civil (correspondente à GNR) em 9 de janeiro de 2010 em Samora, uma cidade espanhola a 55 quilómetros de Miranda do Douro, tendo o etarra conhecido como 'Ata' sido detido alguns meses depois, em maio do mesmo ano, num apartamento em Bayona (França).

Segundo a agência Efe, no julgamento, que começou na Audiência Nacional, um tribunal espanhol especial que trata de crimes contra o Estado, 'Ata' confessou a sua participação na transferência das armas e outros artefactos para o fabrico de engenhos explosivos para a base logística da organização no Casal da Aravela, em Óbidos, distrito de Leiria.

O ex-dirigente da ETA já foi condenado a duas penas de prisão perpétua em França, a última delas pela morte, em março de 2010, de um polícia francês, considerado a última vítima da organização terrorista basca.

As autoridades francesas concordaram com a sua transferência temporária a Espanha para comparecer no julgamento.

Na sessão de hoje, o procurador, nas suas conclusões provisórias, pede a condenação do réu a 13 anos de prisão pelo crime de armazenamento e transporte de armas, munições e substâncias explosivas e inflamáveis e outro de falsificação de documentos para fins terroristas.

A ETA foi fundada em 1959, durante a ditadura de Francisco Franco, e fez uma série de atentados em Espanha e em França em nome da independência do País Basco espanhol e francês, assim como da região espanhola de Navarra.

A organização terrorista renunciou à violência em 2011 e entregou em 2017 aquilo que assegurou serem as suas últimas armas.

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