Ex-diretor da CIA avisa que militares podem vir a recusar ordens de Trump

Declarações do republicano sobre uso de técnicas de tortura em terroristas preocupam general Michael Hayden pela sua ilegalidade. Dois antigos presidentes do México compararam milionário a Adolf Hitler

Os discursos inflamados pejados de declarações polémicas de Donald Trump poderão vir a trazer-lhe sérios problemas caso seja eleito presidente dos Estados Unidos. O aviso foi feito por Michael Hayden, antigo diretor da CIA e general de quatro estrelas na reforma.

"Ficaria extremamente preocupado se um presidente Trump governasse de uma forma consistente com a linguagem que o candidato Trump expressou durante a campanha", declarou o também antigo diretor da Agência de Segurança Nacional (1999-2005) em entrevista ao programa Real Time with Bill Maher, da HBO, ontem reproduzidas pelo Washington Post.

Em meados de fevereiro, o candidato à nomeação republicana disse apoiar o waterboarding e outras técnicas de interrogatório porque "a tortura funciona" quando se quer conseguir informações de terroristas. Trump foi mais longe e admitiu autorizar a introdução de outros métodos "muito piores" e "mais fortes". Utilizado em Guantánamo durante a Administração de George W. Bush, o waterboading foi proibido por Barack Obama, precisamente por ser considerado tortura.

Em várias outras ocasiões, o milionário já defendeu que os Estados Unidos deveriam matar familiares dos terroristas. "Eles não ligam muito às suas próprias vidas, mas preocupam-se, acredite-se ou não, com as vidas das suas famílias", afirmou Trump num debate em dezembro.

Esta ideia é para Michael Hayden uma das mais preocupantes até agora apresentadas por Donald Trump. "Se ele ordenasse tal coisa estando no poder, as forças armadas americanas recusar-se-iam a agir", garantiu o antigo diretor da CIA, cargo que ocupou entre 2006 e 2009, tendo servido Bush e Obama.

"Eles são obrigados a não seguir uma ordem ilegal", explicou o general. "E isso seria uma violação de todas as leis internacionais de conflitos armados", acrescentou, sublinhando que não estava a insinuar que os militares provocariam "um golpe de Estado".

Declaração de rendimentos

Do México vieram também críticas a Donald Trump, com dois antigos presidentes deste país, Felipe Calderón e Vicente Fox, a compararam o empresário a Adolf Hitler. Logo no início da sua campanha, Trump enfureceu os mexicanos com as suas posições sobre a imigração, ao declarar que o país vizinho envia para os Estados Unidos violadores e traficantes de droga, defendendo a construção de um muro na fronteira. Declarações consideradas na altura "preconceituosas e absurdas" pelo atual presidente do México, Enrique Peña Nieto.

Agora, Felipe Calderón, no poder entre 2006 e 2012, afirmou que o discurso anti-imigração de Donald Trump é direcionado para os "imigrantes que têm uma cor diferente da dele", algo "francamente racista". E acrescentou que o republicano está a explorar os medos sociais como "o próprio Hitler fez no seu tempo". Vicente Fox, presidente de 2000 a 2005, fez a mesma comparação: "Lembra-me Hitler. Foi assim que ele começou a falar".

No que diz respeito à corrida republicana, Ted Cruz e Marco Rubio, os outros dois candidatos, apresentaram ontem publicamente as suas declarações de rendimentos, desafiando o milionário Donald Trump a fazer o mesmo.

Em comunicado, Marco Rubio disse que os seus pagamentos às Finanças foram equivalentes à percentagem média do que pagaram os norte-americanos com o mesmo nível de rendimentos. O senador da Florida, com a mulher, Jeanette Dousdebes Rubio, declarou 2,29 milhões de dólares (cerca de dois milhões de euros) em cinco anos e pagou ao fisco 526.092 dólares (perto de 483 mil euros) por esse rendimento. A maior parte dos rendimentos de Rubio provém do seu trabalho como senador, da Universidade Internacional da Florida, de trabalhos como representante legal e de receitas com o seu livro de memórias An American Son.

No caso do senador do Texas, Ted Cruz, os seus rendimentos e os da mulher, Heidi Cruz, executiva do banco Goldman Sachs, totalizaram cinco milhões de dólares (cerca de 4,5 milhões de euros) entre 2011 e 2014, dos quais pagaram 1,5 milhões em impostos (1,3 milhões de euros), segundo a declaração conjunta. Em 2011 e 2012, os anos de maiores rendimentos, o casal Cruz obteve a maioria dos rendimentos através de salários.

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