Ex-aliada de Tsipras está de volta para desafiar a austeridade na Grécia

Ex-presidente do Parlamento grego, de 39 anos, Zoe anunciou agora a criação do partido Plefsi Eletherias (o caminho da liberdade, em português)

A aprovação de um terceiro resgate financeiro para a Grécia, no valor de 86 mil milhões de euros, fez que alguns apoiantes do Syriza se afastassem de Alexis Tsipras. Foi assim com o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, com o ex-ministro do Ambiente e da Energia Panagiotis Lafazanis e com a ex-presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou. Esta lançou um novo partido na segunda-feira: Plefsi Eletherias (o caminho da liberdade, em português).

"Estamos a iniciar um esforço coletivo para a libertação do nosso povo e da nossa nação das algemas dos memorandos. Estamos a navegar na direção de um futuro de liberdade, democracia, justiça. Com clareza, respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. Para apagar a dívida (...) Estamos a criar um partido que quer constituir um movimento e uma frente que se reúna com os poderes sociais e políticos, que esteja conectado através de valores e objetivos em comum", declarou no dia 15 Zoe Konstantopoulou, citada pelos media gregos, ao anunciar o lançamento do partido. O símbolo da nova formação partidária grega é um barco de cor púrpura com velas azul-turquesa. Uma das suas bandeiras continua a ser obrigar a Alemanha a pagar à Grécia reparações devidas pela II Guerra Mundial.

Advogada de profissão, Konstantopoulou, de 39 anos, rompeu com o Syriza de Tsipras, o atual primeiro-ministro grego, por não concordar com as cedências feitas aos credores internacionais e com o terceiro pedido de resgate, aprovado em agosto de 2015. Analistas políticos citados pelo jornal Toc dizem que muito dificilmente o novo partido liderado pela ex-presidente do Parlamento da Grécia ultrapassará a fasquia dos 3% nas próximas eleições legislativas, a não ser que integre uma coligação com outras forças de esquerda. Uma delas é a Unidade Popular, partido fundado pelo ex-ministro da Energia Panagiotis Lafazanis.

Nascida em Atenas, Zoe Konstantopoulou é filha de Lina Alexiou e Nikos Konstantopoulou, ex-presidente do Synaspismos, o maior partido da coligação radical de esquerda conhecida como Syriza. Formada em Direito pela Universidade de Atenas, estudou também Direito Internacional e Europeu na Universidade de Paris X Nanterre, fez uma pós-graduação em Direito Criminal e Políticas Anticrime Europeias na Sorbonne e outra em Direitos Humanos e Direito Criminal na Universidade de Columbia. Trabalhou com detidos franceses na prisão de Fresnes, trabalhou no Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia e ainda no gabinete da representação grega junto das Nações Unidas.

Ativa como advogada na Grécia desde o ano de 2003, candidatou-se a primeira vez pelo Syriza às eleições europeias de 2009 e depois ao Parlamento grego em 2012. Foi deputada entre 2012 e 2014 e, entre fevereiro e outubro de 2015, exerceu o cargo de presidente do Parlamento da Grécia. Eleita com 235 votos a favor, foi a mais jovem a ocupar este cargo no país. Não hesitou em criticar o governo grego por aceitar novas imposições da chamada troika, mesmo depois do resultado do referendo realizado a 5 de julho de 2015: 61,3% dos gregos votaram contra as exigências e as propostas de reformas dos credores e dos parceiros da UE à Grécia em troca de ajuda financeira.

Intransigente, Zoe Konstantopoulou habituou os deputados gregos a longas sessões parlamentares, algumas até de madrugada, para debater todas as questões de forma democrática e de acordo com o que manda a Constituição. Nas três votações parlamentares relativas ao novo resgate a Atenas esteve sempre ao lado dos dissidentes do Syriza. E na última, realizada já em agosto, tentou atrasá-la o mais possível recorrendo a vários procedimentos parlamentares, o que levou a que esta só terminasse às 09.30 do dia seguinte.

Já depois de deixar de ser presidente do Parlamento, a advogada dirigiu em abril deste ano uma carta aberta a Tsipras, sobre a justiça e a corrupção, na qual diz: "Conseguiu não só infligir um duro golpe à independência da Justiça, como também à independência da Grécia em si própria, do governo e do Parlamento." Os gregos esperam para ver agora de que é capaz o seu novo partido.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG