Europa acelera para o desconfinamento a várias velocidades

Aos poucos, comércio, escolas, restaurantes e bares reabrem portas, mas ainda com várias restrições para manter as pessoas a salvo do perigo de novas contaminações.

A Europa acelera esta segunda-feira o desconfinamento pós-pandemia, com os países nórdicos a reabrirem os bares e o Reino Unido, o segundo país do mundo com mais mortos depois dos Estados Unidos, a reabrir as escolas primárias.

Entre os países mais afetados, Espanha, Itália e Turquia aceleram também o desconfinamento, reabrindo as principais atrações turísticas, para reativar o decisivo setor do turismo.

Nórdicos abrem bares e restaurantes

Os dois países nórdicos, que são dos países europeus menos atingidos pela pandemia provocada pelo novo coronavírus, permitem desde hoje a reabertura dos espaços interiores dos bares, até agora apenas autorizada na Hungria, desde quinta-feira passada, e na República Checa, desde a segunda-feira anterior.

Na Finlândia, os espaços interiores dos cerca de 10.000 bares e restaurantes, fechados desde 4 de abril, podem reabrir com metade da capacidade normal, limite que deverá estar em vigor até ao final de outubro.

As esplanadas podem funcionar sem limite de lotação, desde que os clientes estejam sentados e seja mantida a distância social.

Os limites impostos foram criticados pelas associações de hotelaria, que consideram que eles tiram rentabilidade ao negócio, com as empresas a terem de continuar a pagar as taxas de funcionamento na totalidade.

Na vizinha Noruega, os bares reabrem também esta segunda-feira, sendo permitidos grupos de até 20 pessoas, desde que mantenham uma distância de um metro, e com serviço à mesa e não ao balcão, até às 23.30 horas.

Escolas reabertas no Reino Unido

O Reino Unido, que com 38 mil mortos é o segundo país do mundo com mais vítimas mortais de covid-19 e, segundo alguns estudos, o primeiro em termos de sobremortalidade (número de mortes adicionais em relação ao período homólogo em anos anteriores), entra na segunda fase de desconfinamento, embora se mantenha no segundo nível mais alto de uma escala de cinco relativamente à situação da pandemia no país.

As escolas primárias reabriram parcialmente, medida considerada prematura por muitos pais, sindicatos de professores e associações locais. Cerca de dois milhões de alunos estão abrangidos, mas segundo um estudo da fundação nacional para a investigação em educação, 46% das famílias tenciona manter as crianças em casa e os diretores das escolas em meios sócio-económicos mais desfavorecidos preveem que 50% das crianças não vá à escola.

Passam também a ser autorizados os encontros de grupos de até seis pessoas em parques ao ar livre, incluindo para piqueniques e churrascos, e em jardins privados, mas mantendo o respeito pelo distanciamento social.

As medidas aplicam-se a Inglaterra, pois, devido à autonomia da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, os regimes de confinamento têm regras e calendários distintos nas diferentes regiões do Reino Unido.

Rússia com horários para sair à rua

Apesar de ser considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o país europeu com mais casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, 414 878 segundo números oficiais, a Rússia começou a aliviar restrições, autorizando a reabertura de lojas de venda de produtos não alimentares, encerradas há dois meses.

"O dinheiro vai voltar a circular", congratulou-se a proprietária de uma loja de malas e acessórios de Moscovo, Olga, ouvida pela agência AFP, otimista com o regresso dos primeiros clientes em dois meses.

A maioria dos cidadãos pode a partir de agora voltar a sair à rua para passear, condicionada ao uso de máscara e luvas e a um complexo esquema de intervalos horários, mas a medida não abrange Moscovo, mais afetada pela pandemia, onde só deve entrar em vigor a 14 de junho. Todos os locais de lazer, entre restaurantes, cinemas ou campos desportivos, mantêm-se encerrados.

Volta o Grande Bazar na Turquia

Na Turquia, o Grande Bazar de Istambul, com cerca de 3.000 lojas e 30.000 comerciantes, reabriu esta segunda-feira. Fechado desde 23 de março, o Bazar vê hoje o fim do mais longo encerramento em quase seis séculos de existência.

O acesso ao espaço está condicionado ao uso de máscara e a só será permitida a entrada a um número limitado de pessoas nas lojas deste que é um dos maiores mercados cobertos do mundo.

Antes de fechar devido à pandemia, o Grande Bazar era visitado por cerca de 150.000 pessoas por dia, a maioria turistas. "Para já, vai ser difícil dizer que vamos fazer negócio, isso seria mentir. Mas, se Deus quiser, isso vai acabar por acontecer", disse à AFP um vendedor de tapetes, Ali Amac.

Entre as medidas de alívio do confinamento que entram em vigor na Turquia, onde o novo coronavírus matou cerca de 4500 pessoas, figura a reabertura de bibliotecas, restaurantes e creches e a permissão de viagens entre as principais cidades, fortemente restringidas há dois meses.

Já se pode visitar o Coliseu de Roma

Itália, outro dos países mais afetados, com mais de 33.000 mortos, em desconfinamento desde meados de maio, reabriu o Coliseu, em Roma, e vários outros monumentos emblemáticos do país, numa tentativa de relançar rapidamente o turismo.

O acesso ao Coliseu está, contudo, condicionado ao uso de máscara, tomada de temperatura de visitantes e funcionários à entrada, percursos específicos, reserva obrigatória das visitas e horários modificados.

Apenas algumas dezenas de pessoas visitaram o histórico monumento esta manhã, apesar de 300 terem feito reservas online, longe dos 20 000 visitantes diários antes da pandemia. "Aproveitámos a ausência de turistas para vir passear", explicou Pierluigi, residente em Roma que fez "a primeira visita" ao Coliseu acompanhado da mulher.

Quase todos os monumentos e edifícios célebres de Itália reabriram portas na última semana: Pompeia, a Basílica de São Pedro e o Museu Capitolino, assim como as catedrais de Florença e Milão, o Museu do Vaticano e a Torre de Pisa.

Espanha já reabriu Prado e museu Rainha Sofia

Em Espanha, onde a covid-19 já fez mais de 27 000 mortos, avança no processo de reativação da economia com a reabertura do Museu Guggenheim, em Bilbau (País Basco), numa altura em que 70% da população já pode ir à praia e ao restaurante.

Célebre pela sua arquitetura, assinada pelo norte-americano Frank Gehry, o Guggenheim reabre com horários reduzidos a metade, limitação da lotação a um terço, tomada da temperatura à entrada e cancelamento dos serviços de bengaleiro e áudio guia, substituído por uma aplicação gratuita para o telemóvel.

Com Madrid como uma das regiões mais atingidas de Espanha, os dois grandes museus da capital, o Prado e o Museu Rainha Sofia, têm a reabertura marcada apenas para o próximo sábado, igualmente com várias restrições.

Espanha iniciou o desconfinamento há várias semanas, com fases diferentes consoante as regiões que deverão ser concluídas a 1 de julho.

A Grécia levantou as restrições aos hotéis, cinemas ao ar livre, campos de golfe e piscinas públicas, acelerando os preparativos para o regresso dos turistas no verão.

Salas de aula com 15 alunos na Grécia

Nesta que é a quinta fase de alívio do confinamento na Grécia, as creches, jardins de infância, escolas primárias e de educação especial também reabriram. "Não há regresso à normalidade sem escolas abertas", afirmou a ministra da Educação, Niki Kerameus.

As turmas foram divididas em grupos de 15 alunos, as salas de aulas equipadas com dispensadores de desinfetante e os espaços limpos duas vezes por dia e o ano letivo prolongado até ao final de junho.

Os voos internacionais para Atenas e Salónica vão ser retomados a 15 de junho e para o resto do país a 1 de julho.

A Grécia impôs o confinamento muito cedo e conseguiu manter a pandemia relativamente controlada, registando apenas 175 mortes associadas à covid-19, segundo números oficiais.

Vida "quase normal" em França

Os franceses vão esperar mais um dia, mas a partir de terça-feira vão ver reabrir cafés, restaurantes e escolas secundárias na maior parte do território, marcando o regresso a "uma vida quase normal, segundo o primeiro-ministro, Édouard Philippe.

Depois de dois meses e meio de confinamento, bares, cafés e restaurantes das chamadas "zonas verdes" - toda a França à exceção da região de Paris - são autorizados a reabrir, mas com um máximo de dez pessoas por mesa, um metro de distância entre cada grupo e, nos bares, a obrigação de consumir sentado.

"Passámos horas a limpar tudo e hoje vamos fazer uma segunda desinfeção de covid", disse à AFP um gerente de hotel, Théo Stutzman, de Estrasburgo.

O uso de máscara é obrigatório para empregados e, no caso dos clientes, para as idas à casa de banho.

Em Paris, onde apenas as esplanadas podem funcionar, a câmara municipal anunciou que bares, restaurantes e cafés podem usar parte do passeio público gratuitamente. Na terça-feira reabrem também as praias, tanto da Mancha (norte), como do Mediterrâneo (sul).

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