Estudante morreu queimada no Bangladesh por denunciar assédio sexual

"O professor tocou-me, vou lutar até ao meu último suspiro," terão sido as últimas palavras na ambulância de Nusrat Jahan Rafi.

Chamava-se Nusrat Jahan Rafi e tinha 19 anos. A estudante do Bangladesh foi agredida no passado dia 6 de abril e morreu quatro dias depois, devido às queimaduras em 80% do corpo. Duas semanas antes, tinha apresentado uma queixa por assédio sexual contra o diretor da escola.

A denúncia foi apresentada dia 27 de março: Nusrat disse que o diretor da escola que frequentava a tinha chamado ao gabinete e que repetidamente a tocou de forma inapropriada, forçando-a a sair a correr.

Nusrat Jahan Rafi foi um caso único. O assédio sexual é visto como tabu no Bangladesh e muitas raparigas e mulheres preferem manter as suas experiências de abuso em segredo por medo da reação da sociedade e da família. O que tornou Nusrat tão diferente foi não apenas ter falado sobre isso - a estudante denunciou o caso junto da polícia no dia em que o alegado abuso aconteceu.

No mesmo dia o diretor foi preso, mas isso piorou a situação da estudante. Houve protestos pedindo a libertação do diretor, que reuniram estudantes e políticos, com Nusrat no centro da ira dos manifestantes.

A 6 de abril, a jovem regressou à escola para fazer os exames nacionais e foi levada para o telhado por uma colega. Lá chegada, foi cercada por várias pessoas e pressionada para retirar a queixa contra o diretor. Nusrat recusou e foi queimada.

O chefe do Departamento de Investigação da Polícia, Banaj Kumar Majumder, disse à BBC que o plano dos homicidas era "fazer com que parecesse suicídio". Mas falhou quando Nusrat foi resgatada e foi capaz de fazer uma última declaração antes de morrer, identificando os responsáveis. "O professor tocou-me, vou lutar até ao meu último suspiro," terão sido as últimas palavras na ambulância de Nusrat Jahan Rafi.

No dia 10 de abril, Nusrat morreu. Milhares de pessoas foram ao funeral na sua terra natal, Feni.

A polícia do Bangladesh já deteve 15 pessoas, sete delas supostamente envolvidas no homicídio da estudante muçulmana. O primeiro-ministro Sheikh Hasina encontrou-se com a família de Nusrat em Dhaka e prometeu que todos os envolvidos no homicídio seriam trazidos à justiça. "Nenhum dos culpados vai ser poupado a ação legal," garantiu o primeiro-ministro.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.