Este homem já pode sair de Guantánamo, mas recusa-se a fazê-lo

Muhammad Bawazir, natural do Iémen, recusa-se a abandonar centro de detenção norte-americano porque não tem quaisquer familiares nos Balcãs

A decisão do detido, que hoje em dia tem 35 anos, surpreendeu o seu próprio advogado, John Chandler, que diz ter passado os últimos meses a tentar convencer o seu cliente a sair do centro de detenção na base militar que os norte-americanos têm em Cuba.

"Não sei explicar a lógica da posição dele. É uma reação muito emocional de um homem que está preso há 14 anos. Provavelmente está assustado por ter que ir para um país onde não tem apoio garantido", disse o advogado, precisando que, na terça-feira, Bawazir terá concordado em aceitar a oferta mas mudou de opinião no dia seguinte. O imenenita recusou-se a partir no avião que transportou para os Balcãs outros dois detidos de Guantánamo.

Bawazir chegou à prisão com 21 anos, depois de ter sido preso no Afeganistão, no âmbito da "guerra ao terrorismo". O Iémen está a atravessar uma guerra civil e Washington recusa enviar prisioneiros para este país com receio de que voltem a representar uma ameaça para os EUA.

Durante o tempo que esteve em Guantánamo, o iemenita terá protagonizado inúmeras greves de fome, tendo mesmo sido alimentado à força pelas autoridades para evitar a sua morte.

A prisão da baía de Guantánamo foi criada em 2002, pelo então presidente norte-americano George W. Bush, na sequência dos atentados terroristas de 11 de setembro. O centro de detenção, destinada a suspeitos de terrorismo, tem sido criticada pela comunidade internacional e as organizações de defesa dos direitos humanos, nomeadamente por causa das acusações de tortura e maus tratos contra os presos.

Barack Obama, do Partido Democrata, anunciou durante a sua primeira campanha à presidência dos EUA, em 2008, que uma das primeiras decisões a que iria tomar seria o encerramento da prisão. No entanto, a forte o oposição do Congresso, agora controlado pelos republicanos, tem impedido o atual presidente dos EUA de cumprir a sua promessa.

Desde 2002, passaram por Guantánamo 779 prisioneiros. Atualmente, restam 93. Um deles é o autoproclamado cérebro dos atentados do 11 de setembro, o paquistanês Khaled Sheikh Mohammed.

Numa tentativa de ajudar os norte-americanos a encerrar a prisão, vários países aceitaram receber detidos em relação aos quais foi impossível provar culpa. Portugal foi um desses países. Em agosto de 2009, chegaram ao país dois sírios: Moammar Badawi Dokhan e Mohammed Khan Tumani.

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