Esperança esmorece. Busca começam a ser suspensas em Itália

Sábado dia de luto nacional em Itália. Funerais de Estado para 40 vítimas

A esperança de encontrar sobreviventes começa a esmorecer esta sexta-feira, três dias depois do sismo que atingiu o centro de Itália e que fez, de acordo com o último balanço provisório, 267 vítimas mortais. Em alguns dos locais afetados, as operações de resgate e salvamento começam a ser suspensas.

Em Amatrice, localidade pitoresca popular entre os turistas, e onde já foram recuperados 207 corpos, as equipas de emergência acompanhadas por cães continuam a revirar os destroços. Mas das povoações mais próximas, como Pescara del Tronco, os socorristas saíram quando todos os desaparecidos foram localizados.

"Retirámos os últimos corpos de que tínhamos conhecimento", disse Paolo Cortelli, membro dos serviços de resgate alpinos, que ajudaram a retirar cerca de 30 cadáveres dos escombros em Pescara del Tronto. "Não sabemos, e julgo que não saberemos, se o número de desaparecidos corresponde ao número de pessoas que estão efetivamente debaixo dos destroços".

A Proteção Civil revelou que há, nesta altura, cerca de 400 pessoas hospitalizadas a receber tratamento para os ferimentos do sismo, 40 em estado grave. E estima que pelo menos 2500 pessoas tenham ficado sem casa devido ao terramoto mais mortífero em Itália desde 2009. Os sobreviventes que não têm alojamento estão a dormir em tendas de acampamentos improvisados pelos serviços de emergência. "Foi uma noite dura porque há mudanças significativas de temperaturas. Durante o dia está muito, muito quente, e à noite faz muito frio", disse à Reuters Anna Maria Ciuccarelli, de Arquata del Tronto. "Ainda há réplicas seguidas por estrondos e para nós, que sobrevivemos a um terramoto, tem um grande impacto, particularmente a nível psicológico", sublinhou a italiana.

Mais de 920 réplicas foram sentidas na área desde o primeiro abalo, de magnitude 6,2 na escala de Richter, que ocorreu na madrugada de quarta-feira, 24 de agosto.

Sábado dia de luto nacional

No sábado, decretado dia de luto nacional, o governo de Itália planeia realizar funerais de Estado para cerca de 40 vítimas do sismo na cidade de Ascoli Piceno, próxima das zonas mais afetadas. As bandeiras estarão a meia haste em todo o país.

Só agora começam a ser conhecidas as identidades dos que morreram, incluindo estrangeiros: entre as vítimas não italianas contam-se pelo menos seis romenos, uma espanhola, um canadiano e um albanês. A embaixada da Grã-Bretanha em Roma ainda não confirmou, segundo a Reuters, que três britânicos, incluindo um rapaz de 14 anos, também morreram no sismo. A região afetada é popular entre os turistas e as autoridades locais estão a tentar apurar quantos visitantes estariam na área quando o abalo aconteceu. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Roménia diz que ainda há 17 romenos desaparecidos - a Itália tem uma grande comunidade romena e algumas das vítimas residiam no país.

Primeiro funeral já se realizou

O primeiro funeral de uma vítima do sismo realizou-se em Roma esta sexta-feira. Foi a enterrar Marco Santarelli, de 28 anos, filho de um alto dirigente do Estado italiano, que estava na casa de férias da família em Amatrice. "Não tenho palavras para descrever a dor de um pai que sobrevive aos filhos. Talvez não haja palavras", disse o pai de Marco, Filippo Santarelli, ao Corriere della Sera. Em Amatrice, praticamente nenhum edifício ficou de pé - a localidade, que foi no ano passado votada como uma das mais belas de Itália, é conhecida pela gastronomia local - a receita do molho usado no spaghetti all'amatriciana é originária da cidade. "Amatrice foi arrasada", disse o autarca, Sergio Pirozzi.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, declarou ontem, quinta-feira, estado de emergência na região mais afetada, possibilitando a imediata libertação de 50 milhões de euros para trabalho de auxílio. Renzi prometeu reconstruir as casas destruídas e garantiu renovar esforços para reforçar as defesas italianas contra os sismos que regularmente atingem o país. "Queremos que essas comunidades tenham a possibilidade de um futuro e não apenas de memórias", disse aos jornalistas em Roma.

Fraca história de reconstrução

A Itália tem um fraco registo de reconstrução depois de terramotos. Cerca de 8300 pessoas que foram obrigadas a abandonar as casas depois do sismo de Aquila, em 2009, ainda vivem em alojamentos temporários.

Renzi não quis antever prazo para que os desalojados do último terramoto na Itália central voltem a ter casa. "Não tem a ver com definir desafios e fazer promessas. Precisamos do ritmo de um atleta da maratona", disse o primeiro-ministro.

Grande parte dos edifícios na região de Amatrice, província de Rieti, foi construída há centenas de anos, antes da introdução de regras de construção antissísmicas, o que explica também a destruição geral, além da intensidade do sismo. O ministro da Cultura italiano, Dario Franceschini, revelou entretanto que todo o património culturalmente relevante da região - 293 edifícios, entre os quais igrejas - colapsou ou tem danos significativos.

Com Reuters

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