Erdogan sobre a UE: que "governos incompetentes"

Presidente turco volta às críticas. Ministro do Interior belga culpa oficial de ligação da polícia federal em Istambul. Este, diz o jornal 'Le Soir', recusa ser o bode expiatório

Depois de ter revelado que um dos terroristas suicidas de Bruxelas foi detido em junho do ano passado quando tentava ir da Turquia para a Síria e, depois, deportado, deixando em xeque as autoridades e os governos da Holanda e Bélgica, o presidente turco voltou novamente a pôr água na fervura. "Detivemos este tipo em Gaziantep, enviamo-lo de volta. Esses senhores não fizeram o que era preciso e puseram-no em liberdade", disse Recep Tayyip Erdogan num discurso, sexta-feira, em Sorgun, citado pela agência Reuters. Referia-se a Ibrahim el-Bakroui, que se fez explodir no aeroporto de Zaventem. "Que governos tão incompetentes", sublinhou Erdogan, aproveitando para comparar os terroristas de Bruxelas com o PKK.

"Os belgas permitem que membros de uma organização terrorista separatista monte tendas junto ao Conselho Europeu, permitem que mostrem fotos de terroristas, deixam as suas bandeiras estar ali", disse sobre a presença de manifestantes pró-curdos nas imediações do edifício onde decorreu este mês a cimeira UE-Turquia sobre o tema dos refugiados. O chefe do Estado turco defende que o PKK é igual ao Estado Islâmico, afirmando que ambas são organizações terroristas e acusando a UE de não condenar, sem margem para dúvidas, as ações levadas a cabo pelo PKK.

A revelação feita por Erdogan sobre Ibrahim el-Bakroui levou o ministro do Interior da Holanda, país para onde o terrorista foi inicialmente deportado, a explicar-se em conferência de imprensa e os ministros do Interior e da Justiça belgas a apresentarem a demissão. Esta foi, porém, recusada pelo primeiro-ministro Charles Michel.

"Houve dois erros: a nível da justiça e a nível do oficial de ligação na Turquia", disse Jan Jambon, ministro do Interior belga, que na sexta-feira ainda acrescentou: "Uma pessoa foi negligente". Porém, o oficial de ligação em causa, identificado ontem pelo 'Le Soir' como sendo Sébastien Joris, pretende defender-se das acusações perante a comissão parlamentar de inquérito ao já chamado "caso El Bakraoui". E recusará ser o bode expiatório.

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